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04/05/2015 21:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Ciência machista: Pesquisadoras são orientadas a chamar homem para assinar estudo

Você é uma mulher que trabalha duro para escrever um artigo científico. Se enterra nos livros, repete os mesmos experimentos mil vezes, registra atentamente cada informação.

E então chega a hora de, finalmente, submeter sua pesquisa para a publicação, etapa em que colegas cientistas devem analisar seu trabalho com distanciamento científico. O que eles dizem?

Que você precisa chamar homens para assinarem seu trabalho, já que isso pode amenizar "interpretações que se desviam muito das evidências empíricas, em direção a conclusões ideologicamente enviesadas".

Foi isso o que aconteceu com a cientista Fiona Ingleby, geneticista que cursa pós-douturado na University of Sussex, segundo o Washington Post.

O revisor, cuja identidade é anônima, sugere que homens conseguem espaço em publicações mais respeitadas porque são naturalmente mais "eficientes".

"Talvez não seja surpreendente que estudantes de doutorado homens sejam co-autores de, em média, um artigo a mais que as estudantes de doutorado mulheres já que, na média, homens conseguem correr mais rápido que mulheres", diz o revisor.

"Metodologicamente fraco"

É muito provável que o estudo tivesse várias falhas. Porém, diz Fiona, ele foi rejeitado sem qualquer tipo de orientação sobre o que poderia ser melhorado.

"Não só a revisão pareceu antiprofissional e inapropriada como não tinha nenhuma crítica construtiva".

Segundo o blog ScienceInsider, que teve acesso ao estudo, além das recomendações machistas, os únicos comentários do revisor foram que o trabalho é "metodologicamente fraco" e possui "falhas fundamentais que não poderiam ser compreendidas por uma simples revisão, por mais extensiva que seja".

Quer dizer: de acordo com o revisor, o trabalho era tão ruim que nem valia a pena criticá-lo construtivamente. Só mesmo um homem poderia consertá-lo.

Pedido de desculpas

Fiona preferiu não identificar a revista à qual tinha submetido seu estudo, mas o Times Higher Education revelou que trata-se da PLOS ONE. Diante do escândalo, a PLOS se desculpou publicamente.

Ao site especializado Retraction Watch, a PLOS disse que removeu os registros da revisão, enviou o artigo para outro revisor e retirou o revisor machista do corpo editorial.

Ufa.