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04/05/2015 10:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

‘Centro' da dengue no Brasil, SP bate recorde de mortes em ano de epidemia da doença no País

Montagem/Estadão Conteúdo

O Brasil vive uma intensa epidemia de dengue em 2015. Dados do Ministério da Saúde publicados pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta segunda-feira (4) mostram que 745,9 mil casos já foram notificados até 18 de abril, o que corresponde a cinco casos por minuto. Concentrada no Estado de São Paulo, a doença já matou 169 pessoas, um recorde desde 1990, quando começou o balanço oficial da dengue.

O Estado vive em 2015 a pior epidemia de dengue da sua história. O recorde anterior de mortes em São Paulo havia sido registrado em 2010, quando 141 pessoas morreram por complicações da doença. São mais vulneráveis a apresentar o quadro grave da doença crianças, idosos e quem tem problemas crônicos.

São Paulo responde hoje por 73% das 229 mortes por dengue confirmadas no País, o que significa que, de cada quatro pessoas que morreram vítimas da doença no Brasil desde janeiro, três eram moradoras de cidades paulistas. A alta de óbitos em São Paulo é muito superior ao aumento nacional, de 45%.

Quando analisado o número de mortes, o aumento em relação a 2014 é ainda maior. Os 169 óbitos já confirmados neste ano equivalem à alta de 382% sobre as 35 mortes registradas no mesmo período do ano passado. Em relação a todo o ano de 2014, quando o Estado teve 90 óbitos, a alta é de 87,7%.

Além do recorde de mortes, São Paulo também acumula neste ano o maior número de casos confirmados e notificados da doença desde que esses índices passaram a ser tabulados. Pelos números do ministério, que considera todas as notificações (casos confirmados e aqueles ainda em investigação), já são 401,5 mil registros no Estado, uma alta de 379% se comparado com o mesmo período do ano passado.

O índice de incidência da doença em São Paulo chegou a 911,9 casos por 100 mil habitantes - acima de 300, a taxa já é considerada epidêmica, de acordo com classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados da Secretaria Estadual da Saúde mostram que metade do Estado está em surto, com predominância de casos em algumas regiões, como o noroeste paulista e as áreas no entorno de Sorocaba e Campinas.

Outras regiões vivem o drama

Apesar de a epidemia de dengue estar concentrada em São Paulo neste ano, o restante do País não está em situação tão confortável. Somadas todas as notificações, a taxa de incidência nacional já chega a 367,8 casos por 100 mil habitantes, considerada epidêmica e equivalente ao triplo do índice registrado do mesmo período ano passado. A situação ainda tende a se agravar porque o pico da doença acontece a partir da segunda quinzena de abril e o boletim epidemiológico mais recente reúne os dados notificados até o dia 18 do mesmo mês.

Além de São Paulo, outros seis Estados estão em situação considerada epidêmica: Acre (1064,8/100 mil), Tocantins (439,9/100 mil), Rio Grande do Norte (363,6/100 mil), Paraná (362,8/100 mil), Mato Grosso do Sul (462,8/100 mil) e Goiás (968,9/100 mil).

Em nota, o Ministério da Saúde informou que já executou 60% do orçamento da Coordenação Geral do Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) para 2015, o que corresponde a um montante de R$ 8,1 milhões do total de R$ 13,7 milhões. Além do combate à doença, o dinheiro vem sendo utilizado para o financiamento de estudos e pesquisas.

Chikungunya também avança

Dados divulgados pelo jornal Folha de S. Paulo nesta segunda-feira apontam para o avanço também da chikungunya, doença também transmitida pelo mosquito da dengue, o Aedes aegypti, no Brasil. Cinco Estados – Amapá, Bahia, Mato Grosso do Sul, Roraima e Distrito Federal registraram casos da doença, enquanto há suspeitas da chikungunya também em Minas Gerais.

Segundo o Ministério da Saúde, são reconhecidos 2.552 casos neste ano, de um total de 6.209 registrados desde a chegada da doença ao Brasil, no ano passado. A estimativa, porém, é de que o número seja muito maior, uma vez que há demora na investigação e constatação da doença. Em relação à dengue, a principal diferença da chikungunya são as dores nas articulações, que podem durar meses e até anos.

(Com Estadão Conteúdo)

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