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01/05/2015 13:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Mulher é resgatada após cinco dias sob escombros no Nepal; Número de mortos passa de 6.000

ASSOCIATED PRESS
Krishna Devi Khadka is carried on a stretcher after being rescued from a building that collapsed in Saturday’s earthquake in Kathmandu, Nepal, Thursday, April 30, 2015. Police in Kathmandu confirmed that rescuers dug out Khadka, a woman in her 20s from the debris of Saturday’s massive quake. (AP Photo/Bikram Rai)

Centenas de pessoas comemoraram quando equipes de resgate que remexiam destroços deixados pelo terremoto no Nepal salvaram nesta quinta-feira (30) um menino e uma mulher que ficaram presos durante cinco dias.

A empregada Krishna Devi Khadka, de 23 anos, foi encontrada junto aos corpos de três outras pessoas, informou a polícia.

A Força de Polícia Armada do Nepal conseguiu salvar Pema Lama, de 15 anos, das ruínas desmoronadas do hotel Hilton de Katmandu.

“Vi a polícia escavando durante quatro horas para remover pilhas de destroços antes de conseguir retirá-lo”, disse Ambar Giri, um assistente médico no local.

Outra história de sobrevivência é a de uma menina que foi encontrada em um dos palácios reais de Katmandu, onde a maioria dos prédios desabou, e que passou a ser adorada por muitos como se fosse uma deusa viva.

“Seu templo permaneceu intacto por causa de seus poderes divinos”, declarou seu pai, Pratap Man Shakya, à Reuters.

Número de mortos

As autoridades disseram que as chances de se encontrar mais sobreviventes estão diminuindo. O número de mortos confirmados do desastre de sábado passado subiu para 6.250, com 14.357 feridos, segundo o governo. O número de mortos pode chegar a 10 mil. Não se sabe quantos estão desaparecidos.

Na capital Katmandu, muitos corpos não reclamados foram sendo rapidamente cremados por causa da pressão em necrotérios. Além da possibilidade de transmissão de doenças, o mau cheiro dos cadáveres se espalhava por localidades onde os edifícios desabaram.

Na capital e em outras cidades, os hospitais estão lotados de feridos, e muitos estão sendo tratados a céu aberto.

“As novas levas de pacientes são aqueles que sobreviveram ao terremoto, mas estão doentes porque estavam vivendo ao ar livre e bebendo água contaminada”, contou Binay Pandey, médico do hospital governamental Bir, na capital.

Vilarejos

Longe da capital, o socorro finalmente começa a chegar a algumas das cidades e dos vilarejos remotos situados entre montanhas e contrafortes, onde a extensão dos danos e a perda de vidas ainda precisam ser devidamente avaliadas.

De um helicóptero do Exército que partiu de Chautara, a nordeste de Katmandu, rumo à fronteira com o Tibete, uma testemunha da Reuters estimou que entre 70% e 80% dos edifícios foram seriamente danificados.

Em um vilarejo remoto, uma equipe médica do Exército tratava de moradores feridos, e os soldados supervisionavam o descarregamento de bens em um trecho de terra enlameado próximo de uma escola que serviu como campo de pouso.

Na própria cidade de Chautara, algumas poucas pessoas limpavam os estragos dos andares superiores de suas casas e preparavam cimento na calçada para iniciar o longo processo de reconstrução.

Muitos nepaleses têm dormido a céu aberto desde o tremor de sábado. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 600 mil residências foram destruídas ou avariadas.

A ONU também afirmou que oito milhões de pessoas foram afetadas, e que pelo menos duas milhões precisarão de barracas, água, alimento e remédios ao longo dos próximos três meses.

Tensão

A revolta por causa do ritmo do resgate irrompeu em algumas áreas, e os nepaleses acusam o governo de lentidão na distribuição da grande leva de ajuda internacional que chegou ao país.

Mas esse auxílio ainda precisa chegar a muitos necessitados, especialmente em áreas de difícil acesso devido aos estragos do tremor e do clima ruim.

As tensões entre estrangeiros e nepaleses desesperados para serem retirados também veio à tona. No vale de Langtang, onde se teme que 150 pessoas estejam soterradas, um piloto de helicóptero foi feito refém por moradores que exigiam ser levados em primeiro lugar, segundo um relato.

Helicópteros

O Nepal está solicitando mais helicópteros de governos estrangeiros. Atualmente há cerca de 20 helicópteros dos Exércitos nepalês e indiano e de particulares envolvidos nas operações de resgate, de acordo com Laxmi Prasad Dhakal, funcionário do Ministério de Assuntos Internos.

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