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30/04/2015 12:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Governador do Paraná, Beto Richa, defende a ação da PM em protesto dos professores e afirma que 'foi uma reação natural'

Montagem/Divulgação/Estadão Conteúdo

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), se mostrou favorável à ação da Polícia Militar no último protesto dos professores estaduais em greve. Ele acusa grupos black blocks de terem agido com "truculência" e afirma que a greve tem cunho político. A atuação da tropa, claramente violenta, deixou ao menos 150 manifestantes feridos, segundo o APP-Sindicato.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Richa diz que foi informado pela Secretaria de Segurança Pública que não houve violência. "Tem que analisar melhor as cenas. Mas o relato que recebo da Segurança Pública é que não houve violência, só contenção da massa que vinha para cima deles tentando invadir a Assembleia, principalmente com spray de pimenta e gás de efeito moral", afirmou.

Segundo o governador, havia black blocks infiltrados no protesto e, para ele, foram esses grupos que agiram com "truculência", e não os policiais. "Partiram para cima dos policiais com as grades de contenção e estavam preparando coquetel molotov quando foram detidos". Richa também afirma que sete pessoas foram detidas e há 20 policiais feridos.

"Eles pegaram as grades e foram no peito dos policiais. Os policiais estavam parados, partiu para cima deles e foi uma reação natural da proteção da vida e revidaram. Tem 20 policiais feridos." O governador cedeu uma coletiva de imprensa com mais informações. Assista aqui.

Segundo nota do governo do Paraná, os manifestantes tentaram invadir a Assembleia Legislativa (Alep), e sete manifestantes foram presos por "envolvimento direto nos ataques aos policiais."

pedras

Material apreendido pela Polícia Militar

O tucano também afirmou que o PT e a CUT "inflam" manifestações com filiados de sindicatos de diferentes categorias.

Não é a primeira vez que Richa apresenta essa justificativa. Esta semana, o governador teve um discurso semelhante em entrevista ao SBT. "Eu não tenho dúvida alguma que haja motivação política nessa greve, porque não há justificativa."

Em entrevista que concedi hoje ao jornalista Denian Couto, falei a respeito da manifestação dos professores e sobre a causa principal da paralisação: o projeto que altera o sistema previdenciário do Paraná. Também atendi a outras emissoras de televisão de Curitiba e amanhã falarei a emissoras de rádio também da Capital.

Posted by Beto Richa on Terça, 28 de abril de 2015


Especialistas ouvidos pelo Brasil Post afirmaram que o comportamento da tropa foi abusivo. As redes sociais iniciaram o movimento #TodosSomosProfessores e #BrasilComosProfessores. A APP-Sindicato, principal liderança da greve, publicou uma nota de repúdio aos atos da polícia.

A direção estadual da APP-Sindicato repudia toda a ação policial usada contra a nossa categoria - e os demais...

Posted by APP-Sindicato on Quarta, 29 de abril de 2015


O terceiro protesto

Cerca de 20 mil manifestantes se reuniram em frente à Assembleia Legislativa do Estado (Alep) nesta quarta-feira (29). O tumulto começou enquanto a reforma da previdência dos funcionários públicos do estado era votada em plenário, e a repressão aos manifestantes durou pelo menos 30 minutos ininterruptos.