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29/04/2015 16:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Deputado que disse que índios, gays e quilombolas não prestam é o mesmo que derrubou o alerta sobre transgênicos

Montagem/Reprodução/Agência Câmara

Representante dos ruralistasno Congresso, o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que emplacou no plenário na terça-feira (28) o projeto que desobriga a exigência de rótulos nos alimentos que possuem ingredientes transgênicos, é o mesmo que disse que gays e índios, gays e quilombolas “não prestam”. O currículo do deputado é recheado de polêmicas. O Brasil Post resgatou algumas:

Índios, gays e quilombolas “não prestam"

Em uma audiência pública em novembro de 2013, o deputado atacou o ex-ministro Gilberto Carvalho. Em um vídeo, divulgado na internet, ele dispara:

"No mesmo governo, seu Gilberto Carvalho, também ministro da presidenta Dilma, estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta, e eles têm a direção e o comando do governo.”

Após a repercussão negativa das imagens, o deputado acrescentou que não é homofóbico. “Na minha casa tem gays e lésbicas. Eu convivo com eles e não tenho preconceito”.

Redefinição de "trabalho escravo"

No último dia 15 de abril, Heinze teve papel fundamental para mudar o conceito de trabalho escravo. Relator do projeto de lei 3842/12, que altera o Código Penal, ele aceitou a íntegra e recomendou a votação do parecer do ex-deputado Reinaldo Azambuja, que retira os termos “jornada exaustiva” e “condições degradantes de trabalho” da definição do crime.

Transgênico? Não sabemos

Na terça-feira (28), com 320 votos favoráveis e 135 contra, a Câmara aprovou projeto de Heinze que acaba com o aviso sobre ingredientes transgênicos em produtos como óleo de soja, fubá e outros derivados. “Acho que o Brasil pode adotar a legislação como outros países do mundo. O transgênico é um produto seguro”, ressaltou o deputado. Opositores consideram que a Casa, ao acatar a medida, sonega informações aos consumidores.

Racista do ano

No ano passado, Heinze conquistou o título de racista do ano, da ONG inglesa Survival. A nomeação foi feita no Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racional, em 21 de março. Seis meses depois, ele foi o deputado mais votado no Rio Grande do Sul, com mais de 162 mil votos válidos. Foi a terceira vez consecutiva que ele apareceu entre os mais votados.

Lava Jato

Heinze faz parte da metade da bancada do PP na Câmara que está sob investigação na Operação Lava Jato e é do partido que mais tem deputados citados no esquema de corrupção na Petrobras.