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27/04/2015 12:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Recomeço com emprego e dignidade: no Magdas Hotel, em Viena, todos os funcionários são refugiados

Divulgação

Este não é um hotel como outros. Logo de cara, na entrada, ao lado do lobby, uma série de retratos na parede fazem as primeiras apresentações. O Magdas Hotel, em Viena, na Áustria, é um lugar cheio de histórias.

Histórias como a do iraniano Antonio Piani, que fugiu de seu país natal há mais de dez anos. No Irã, foi preso diversas vezes porque lutava pela democracia. Chegou à Áustria como exilado, mas nestes anos todos, nunca conseguiu um emprego estável. Descobriu que apesar de estar longe da ditadura, a falta de um trabalho o impedia de se tornar um homem livre.

Assim como Piani, o nigeriano Segun Brince buscou asilo em Viena. Por ser cristão, sua mulher foi morta por terroristas do grupo fundamentalista islâmico Boko Haram, na Nigéria, e ele teve de ir embora.

Brince e Piani são funcionários no Magdas Hotel. Ao lado deles, refugiados de outras 14 nacionalidades trabalham no local. Eles ocupam as mais diferentes funções: de chefs de cozinha a camareiros, eletricistas a recepcionistas. São as lindas fotos deles, que dão as boas-vindas aos hóspedes.

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A ideia do hotel é criar um ambiente em que pessoas de todos os cantos do planeta, sejam elas turistas ou refugiados – tenham a chance de conviver e conhecer a história do próximo.

A iniciativa do Magdas Hotel é da organização europeia Caritas, que faz trabalho filantrópico no mundo todo, frequentemente com refugiados. A Europa vive um momento dificílimo: milhares de pessoas chegam todos os dias ao continente, tentando fugir da fome, terrorismo e guerras civis. Muitos já morreram no caminho, em travessias ilegais, até a costa da Itália.

O hotel de Viena, inaugurado em fevereiro deste ano, é um negócio social. Pretende resolver um problema social e econômico. Mas justamente por isso, não receberá subsídios ou doações. Terá que gerar lucro para continuar de portas abertas. Pelo sucesso dos primeiros meses e a receptividade dos hóspedes, o hotel terá vida longa.

O prédio do Magdas era um antigo abrigo de idosos, localizado em frente à famosa roda-gigante da cidade. Reformado, ganhou decoração minimalista e clean. Os alunos da Academia de Belas Artes de Viena, vizinha de bairro, colaboraram com diversas obras de arte e pinturas na parede. Na escadaria, que leva aos 78 quartos do hotel, estão penduradas bandeiras que representam as nacionalidades dos refugiados.

Pelos corredores podem ser ouvidos 23 idiomas. Línguas diferentes, mas de pessoas unidas por um objetivo comum: ter um emprego, que garanta uma vida com liberdade e dignidade. Pessoas que fugiram de terras distantes e buscaram um novo recomeço longe de seus amigos, familiares e lembranças mais queridas.

Certamente este é um hotel único. Uma iniciativa brilhante, que merece ser replicada em outros lugares do mundo.

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