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23/04/2015 13:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:54 -02

Ações da Petrobras despencam na Bolsa de Valores após divulgação de prejuízo de R$ 21 bi, primeiro resultado negativo em 23 anos

Tânia Rego/Agência Brasil

As ações da Petrobras abriram na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em queda nesta quinta-feira (23), um dia depois da estatal anunciar prejuízo de R$ 21,6 bilhões em 2014, o primeiro resultado negativo desde 1991. Desse total, R$ 6,2 bilhões se referem às perdas com corrupção deflagrada na Operação Lava Jato.

Por volta das 10h desta manhã, as ações preferenciais (mais negociadas e sem direito a voto) chegaram a cair 9,38%, custando R$ 11,89. Já as ordinárias (com direito a voto no conselho) registravam queda de 6,4%, negociadas a R$ 12,46, de acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo.

No início da tarde, as preferenciais voltaram a cair 4,95%, para R$ 12,47, enquanto as ordinárias, tinham queda de 0,30%, para R$ 13.27.

Mesmo com a queda das ações da Petrobras, o Ibovespa, principal indicador da bolsa de São paulo, opera em alta hoje. Às 11h45, o indicador subia 0,33%.

Sem dividendos

A desvalorização das ações da estatal na bolsa, principalmente das ordinárias, ganhou mais fôlego após o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, anunciar que a companhia não irá pagar dividendos aos acionistas referentes a 2014, para preservar caixa. Dividendos são a parcela dos lucros da companhia que é distribuída aos acionistas.

"Tudo isso nos deixa com a impressão de que a Petrobras irá continuar a ser 'mais do mesmo': fará apenas o necessário para garantir liquidez e recursos para executar investimentos, mas sem nenhuma urgência para alcançar fluxo de caixa livre positivo ou retornos elevados", disseram os analistas Andre Sobreira e Vinicius Canheu, do Credit Suisse, em relatório a clientes, informou a Reuters.

O BTG Pactual destacou que a companhia não pagará dividendos, mesmo tendo pago participação nos lucros aos funcionários. "À primeira vista, os números realmente fracos ficaram muito abaixo do que esperávamos", disseram os analistas do BTG Gustavo Gattass, Andres Cardona e Julia Ozenda.

"Impraticável" identificar montante de fraudes

Em notas explicativas que acompanharam as informações trimestrais, a Petrobras afirmou que foi impraticável identificar a data e o montante exatos dos gastos adicionais impostos por fornecedores e empreiteiras à companhia no âmbito das operações fraudulentas investigadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

A estatal pondera que os depoimentos identificaram apenas as empresas e não todos os contratos, além de não detalhar os períodos em que os pagamentos que incorporaram os gastos adicionais foram feitos.

"Como a companhia não consegue identificar o montante de gastos adicionais incluídos em cada pagamento no âmbito dos contratos de fornecimento ou o período específico em que os gastos adicionais ocorreram, não é possível determinar o período em que o ativo imobilizado deveria ser ajustado", justificou a empresa.

Também em notas explicativas, a companhia detalhou o andamento das investigações e medidas que serão tomadas em relação à Operação Lava Jato, da Polícia Federal, cujas perdas com as operações fraudulentas são estimadas em R$ 6,194 bilhões. As medidas que podem ser tomadas incluem ações cíveis contra os membros do cartel.

(Com informações das agências Estadão Conteúdo e Reuters)