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Mark Zuckerberg rebate críticas ao Internet.org: 'É melhor ter algum acesso à internet do que nenhum'

17/04/2015 16:48 BRT | Atualizado 26/01/2017 21:52 BRST
CHANDAN KHANNA via Getty Images
US chairman and chief executive of Facebook Mark Zuckerberg gestures as he announces the Internet.org Innovation Challenge in India in New Delhi on October 9, 2014. Zuckerberg is attending a two-day Internet.org summit which will discuss ways to make internet access available to people who cannot afford it globally. AFP PHOTO / CHANDAN KHANNA (Photo credit should read Chandan Khanna/AFP/Getty Images)

A iniciativa, a princípio, parece quase inquestionável: o Facebook quer patrocinar a inclusão digital de todo o mundo. Seu projeto, Internet.org, tem como objetivo levar conexão para a população mais pobre do planeta. Depois de chegar a mais de 800 milhões de pessoas em nove países diferentes, chegou a vez do Brasil: Mark Zuckerbeg aproveitou a concentração de chefes de Estado latino-americanos na Cúpula das Américas, na semana passada, para vender seu projeto. Deu certo: na última sexta-feira, Dilma Rousseff anunciou a parceria.

Os termos do acordo - que ainda não foi assinado - ainda são desconhecidos. O governo deve fechar os detalhes só em junho. Mas, de cara, a parceria com o Facebook levanta mais críticas do que comemoração. É que o Internet.org oferece, na verdade, uma 'internet básica' - como Wikipedia, acesso a serviços públicos, busca de empregos e, claro, o Facebook. A primeira crítica ao projeto é que ele, de cara, fere a neutralidade de rede. Aqui no Brasil, vários especialistas já apontaram problemas. E são vários: o projeto desrespeitaria o Marco Civil da Internet, pode criar barreiras de exclusão, é uma medida que pode criar um monopólio de mercado e, por fim, ameaça a neutralidade.

Na Índia, país em que o Internet.org já está funcionando, o projeto está sob fogo cruzado. Na semana passada, várias empresas retiraram apoio à iniciativa acusando-a de ferir a neutralidade de rede. Preocupado com a repercussão negativa de seu ambicioso projeto, Mark Zuckerberg recorreu a um post em seu perfil no Facebook.

"Se alguém não pode pagar pela conexão, é sempre melhor ter algum acesso do que nenhum", escreveu. O fundador do Facebook não acredita que o seu projeto entre em conflito com a neutralidade de rede. Segundo ele, oferecer acesso a apenas alguns aplicativos é uma maneira de viabilizar a conexão universal.

"É muito caro tornar toda a internet gratuita. Operadoras de telefonia móvel gastam dezenas de bilhões de dólares para manter todo o tráfego da internet. Se fosse gratuito, elas sairiam do negócio. Mas, oferecendo alguns serviços básicos, ainda é lucrativo, e é gratuito e há valor para todos que usam", escreveu, em resposta a uma dúvida postada em sua página.

O fundador explicou que quem escolhe os aplicativos gratuitos que entram no projeto é o Facebook em parceria com os governos locais e as operadoras de telefonia. Assim, se o Internet.org vir para o Brasil nos mesmos termos, a população mais pobre do País terá acesso a serviços escolhidos pelo governo e pelas operadoras de telefonia (sem esquecer do Facebook, é claro).

Na Índia, por exemplo, quem acessa a internet através do projeto tem acesso a notícias na BBC, horóscopo, busca de empregos, informações sobre doação de sangue, notícias locais, Wikipedia, Wikihow e outros serviços. Busca, só no Bing. E a única rede social disponível é o Facebook.

Para Zuckerberg, a neutralidade de rede não está em conflito com "trabalhar para conectar mais pessoas". "Esses dois princípios - conectividade universal e neutralidade - podem e devem coexistir". Segundo ele, o Internet.org não bloqueia ou regula nenhum serviço e está aberto à qualquer operadora de telefonia. Eliminar o programa em nome da neutralidade de rede, para Zuckerberg, não aumentaria a inclusão social. "Apenas privaria todos nós das ideias e contribuições dos dois terços do mundo que não estão conectados."