MULHERES
16/04/2015 14:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Restaurante cobra 30% mais caro de homens em campanha contra discriminação salarial

Reprodução/YouTube

Você acharia justo pagar 30% mais caro num restaurante apenas por ser homem? Com o intuito de chamar atenção para a desigualdade salarial de gênero, um restaurante em São Paulo fez algo inédito: acrescentou uma taxa extra no cardápio exclusiva para os homens.

As reações foram filmadas por câmeras escondidas para a campanha chamada "Unfair Menu" (ou "Menu Injusto", em tradução livre), da agência de publicidade Agnelo Comunicação, em parceria com o restaurante Ramona.

Ao se depararem com o cardápio, homens e mulheres mostraram indignação com a diferenciação de preços e logo questionaram os atendentes do estabelecimento.

O que é isso aqui? Tem alguma coisa errada com esse cardápio. Subiram os preços?

Eu tenho que pagar 30% a mais porque eu sou homem, é isso?

Que brincadeira é essa de cobrar mais dos homens? Um absurdo! Eu não vou pagar isso.

Só porque ele é homem? É, tipo, só uma discriminação de gênero e...

Exatamente. — respondeu a garçonete.

Muitos pediram para falar com o gerente e, em seguida, eles receberam a seguinte explicação:

“No Brasil, as mulheres recebem em média 30% a menos para desempenhar a mesmas funções. Isso sim é injustiça”.

As reações foram captadas pela câmera. Alguns homens ficaram pensativos, outros admitiram sentir vontade de pagar mais caro e as mulheres elogiaram a iniciativa. Confira o vídeo abaixo:

Desigualdade no trabalho

Pesquisas mostram que as mulheres ganham em média 30% a menos que os homens para desempenhar as mesmas funções, além disso, elas têm mais dificuldades para alcançar cargos de liderança e chefia dentro das empresas.

Um estudo divulgado neste ano pela organização internacional ActionAid mostra que a desigualdade de gênero no mercado de trabalho custa US$ 9 trilhões a cada ano aos países emergentes. O custo é maior que os PIBs do Reino Unido, França e Alemanha juntos.

Além disso, a pesquisa Estatísticas de Gênero 2014 aponta que as mulheres estão ganhando mais, mas ainda recebem muito menos que os homens. Quando eles ganham R$ 10,00, elas ganham R$ 6,80. Isso significa que, para ganhar o mesmo que o brasileiro médio ganha ao longo de um ano, a mulher teria de trabalhar o equivalente a 536 dias — cinco meses e meio a mais só para pagar o preço da desigualdade.

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