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14/04/2015 14:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Brasil lidera corte feito pelo FMI na projeção de alta do PIB

WENDERSON ARAUJO via Getty Images
Brazil's President Dilma Rousseff participates in the 16th meeting of the National Council for Industrial Development (CNDI), at Planalto Palace in Brasilia on February 09, 2015. AFP PHOTO / Wenderson Araujo (Photo credit should read WENDERSON ARAUJO/AFP/Getty Images)

O Brasil teve o maior corte de projeção de crescimento da economia para 2015 e 2016 entre as principais economias avançadas e desenvolvidas em um relatório divulgado nesta terça-feira, 14, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O ajuste para melhorar as contas públicas brasileiras e o esforço do Banco Central para conter a inflação devem ajudar a restaurar a confiança de empresários e investidores, mas pode afetar ainda mais a atividade econômica no curto prazo, afirma o documento.

O FMI reduziu em 1,3 ponto porcentual a estimativa de crescimento do Brasil para 2015 e 0,5 ponto a de 2016 em relação às previsões feitas em janeiro, quando divulgou seu último relatório de previsões. Depois do país, a Rússia foi a economia que teve a maior redução nas taxas previstas de expansão, de 0,8 ponto em 2015 e 0,1 em 2016. Com isso, a aposta dos economistas da instituição é a de que o Brasil deve ter contração de 1% este ano.

Para a Rússia, abalada pela queda do petróleo e pelos embargos dos Estados Unidos e da Europa por causa do conflito com a Ucrânia, a previsão é de contração de 3,8%, a maior entre os principais mercados. Outros emergentes como Índia, tiveram a estimativa melhorada, enquanto a da China foi mantida. Para 2016, a previsão do FMI é que a economia brasileira se recupere e volte a se expandir, crescendo 1%.

Ajuste fiscal

O FMI elogia o ajuste na política econômica brasileira, mas avalia que as medidas podem afetar fortemente a atividade, que já vem enfraquecida do ano passado, quando o país ficou praticamente estagnado. "O compromisso renovado das autoridades brasileiras para conter o déficit fiscal e reduzir a inflação vai ajudar a restaurar a confiança no quadro da política macroeconômica do Brasil, mas vai reduzir ainda mais a demanda de curto prazo", afirma o texto, que faz parte do relatório "Perspectiva Econômica Global".

O FMI atribui o baixo crescimento brasileiro a fatores como a baixa confiança de empresários, devido ao escândalo de corrupção na Petrobras, o temor de racionamento de água e energia elétrica e à alta de reformas para melhorar a competitividade do País. Para reverter o quadro, o Fundo recomenda reformas na educação e no mercado de trabalho, para melhorar a produtividade e a competitividade, e também investimentos na infraestrutura para resolver gargalos. "A confiança do setor privado manteve-se teimosamente fraca, mesmo que a incerteza relacionada com as eleições tenha se dissipando", afirma o FMI.

Para a inflação no Brasil, a projeção do FMI é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve superar o teto do intervalo de tolerância da meta este ano (de 6,5%), refletindo o ajuste nos preços regulados e a depreciação do real, uma das moedas que mais se desvalorizaram ante o dólar entre os principais emergentes este ano, ressalta o documento. A aposta dos economistas da instituição é a de que a inflação se aproxime da meta nos próximos dois anos. A projeção do FMI é que o IPCA suba 7,8% este ano e 5,9% em 2016. Já a taxa de desemprego deve piorar, subindo de 4,8% em 2014 para 5,9% este ano e 6,3% em 2016.

América Latina

Por causa do desempenho fraco do Brasil, mas também de outros países, como Venezuela e Argentina, a América Latina teve em 2014 o quarto ano consecutivo de queda do crescimento do PIB, influenciado pelo fim do boom mundial das commodities e pelo menor espaço em países importantes da região, como o Brasil, para políticas que estimulem o crescimento.

As perspectivas de curto prazo para a região não são muito otimistas. O texto ressalta que não há fatores nos próximos meses capazes de mudar a reversão da economia. Por conta disso, a previsão de crescimento da região em 2015 foi cortada de 1,3 ponto do relatório de janeiro para 0,9%. A de 2016 foi reduzida de 2,3% para 2%.

Na América Latina, o México deve ser um dos destaques e crescer 3% este ano, corte de 0,2 ponto ante a estimativa feita em janeiro. A economia mexicana deve se beneficiar da atividade mais aquecida nos Estados Unidos, de acordo com o FMI. Já a Venezuela deve encolher 7% e a Argentina recuar 0,3%.