MULHERES
10/04/2015 12:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

OMS denuncia 'epidemia' de cesáreas no mundo. Adivinha qual País é líder?

Flickr.com/jynmeyer

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o Brasil como o líder em cesáreas e alerta que o aumento nas práticas em partos se transformou em uma "epidemia". A declaração foi feita em Genebra, em uma tentativa de convencer médicos, hospitais e mulheres para que repensem os partos. Para a OMS, cesáreas somente devem ser realizadas quando existem "motivos médicos".

Esta "denúncia" acontece mesmo com o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) terem anunciado em janeiro deste ano normas para estímulo do parto normal e reduzir o número de cesarianas desnecessárias no Brasil.

Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que no máximo 15% dos partos sejam cesarianas, no Brasil o índice é de 52%, chegando a 88% na rede privada. Os dados são na pesquisa inédita Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, feita pela Fundação Oswaldo Cruz e o Ministério da Saúde, divulgadas em maio de 2014.

"Desde 1985, sempre dissemos que a taxa ideal de cesáreas seria de 10% a 15% dos partos em um país", disse Marleen Temmerman, ginecologista e diretora de Saúde Reprodutiva na OMS. "Mas o que vemos é um aumento dramático", declarou.

Em 20 anos, todas as regiões do mundo registraram um aumento nos casos de cesáreas. "Há uma epidemia, mesmo quando não existe uma necessidade médica", declarou a diretora, indicando que mesmo na África a taxa também aumentou.

Em média, a taxa de cesárias na Europa é de 20% a 22%, contra 15% há 20 anos. Já nos Estados Unidos, a taxa é de 32,8%. Sobre o Brasil, a OMS não poupa críticas. "o Brasil é o líder mundial", informou.

Com mais da metade dos nascimentos no País realizados por cesáreas. Hoje, apenas dois países do mundo vivem essa situação em que partos naturais são minoria. O outro é o Chipre.

"O que vemos é que, em duas décadas, os casos no Brasil aumentaram de forma exponencial", disse a diretora. Dados da OMS de 2011 mostram que 53,7% dos partos no Brasil eram cesáreas, a maior taxa do mundo. Em 2010, essa taxa era de 52,3%. As estimativas, porém, apontam que ao final de 2014 a taxa já teria chegado a 55%.

Matin Gulmezoglu, coordenador do Departamento de Saúde Maternal da OMS, admite que governo e entidades brasileiras estão tentando reduzir a taxa. Mas alerta que "não será uma tarefa fácil, já que a prática parece estar disseminada".

Pelo banco de dados da OMS, que de fato não consegue incluir todos os países por falta de informação, a Colômbia apresenta um número elevado, de 42%, contra 43% na República Dominicana. No Chipre, a taxa chegou a 50%, contra 47% no Irã.

Segundo ele, existem diversas razões para o aumento da prática. "Em primeiro lugar, essas operações são mais seguras hoje, com antibióticos e anestesia", disse.

Mas a diretora da OMS culpa os médicos e hospitais por ter dado início à "epidemia". "Quando há a medicalização dos partos, vemos um aumento das cesáreas", disse. "Para um ginecologista, é melhor fazer cesárias para que possam organizar suas e hospitais puxam nessa direção para que tenham uma agenda determinada", explicou. "É uma questão logística, não financeira."

Outro alerta da OMS é de que as práticas passaram a fazer parte da "cultura" de certas classes sociais. "Precisa haver uma conscientização de que, apesar de segura hoje, trata-se de uma intervenção cirúrgica que pode ter impacto negativo para a mãe e a criança", analisou a especialista.

(Com informações da Estadão Conteúdo)

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