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09/04/2015 14:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

Dilma Rousseff prega punição a envolvidos no escândalo da Petrobras e diz ter certeza que sua campanha "não teve suborno" (VÍDEO)

A presidente Dilma Rousseff (PT) revelou ter certeza que a sua campanha eleitoral não recebeu recursos provenientes de suborno. A informação foi prestada por ela em entrevista ao canal CNN en Español, cuja primeira parte foi exibida na noite desta quarta-feira (8).

“Eu tenho absoluta certeza que a minha campanha não tem dinheiro de suborno”, disse Dilma na entrevista, realizada no Palácio do Planalto esta semana. O suposto envio de dinheiro de propina para a campanha da petista é tido como um elemento que, se comprovado, poderia levar à abertura de um processo de impeachment contra Dilma.

De acordo com a presidente, suas contas foram prestadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram aprovadas. “Isso não quer dizer que eu me coloque acima de ninguém. Qualquer brasileiro, cidadão ou cidadã, ele deve prestar contas do que faz. Eu prestei para o TSE, entreguei as minhas contas, e elas foram auditadas e foram aprovadas”, comentou.

Dilma afirmou que “se dinheiro de suborno chegou a alguém, essa pessoa será responsável”, defendendo as investigações que está sendo feitas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que apura um grande esquema de corrupção na Petrobras.

“Nós descobrimos porque a Polícia Federal e o Ministério Público Federal descobriram, prenderam, doleiros. Quando se prendeu esses doleiros, se descobriu que um desses doleiros tinha ligação com um diretor da Petrobras, e ai é que foi puxado todo o novelo da corrupção feita por funcionários da Petrobras”, emendou.

A presidente não está na lista de investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Lava Jato enviada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Na semana passada, Janot reafirmou a líderes da oposição na Câmara, que haviam questionado o procurador-geral, que não via razão para que Dilma fosse investigada.

Em depoimento à CPI da Petrobras no mês passado, o ex-gerente-executivo da diretoria de serviços da estatal Pedro Barusco, um dos operadores do esquema de corrupção na empresa, relatou que houve pedido de ‘patrocínio’ à fornecedora de sondas da Petrobras SBM Offshore para a campanha presidencial de 2010, quando Dilma foi eleita.

No entanto, Barusco afirmou não saber se os valores repassados foram diretamente direcionados para a campanha eleitoral. Segundo o ex-gerente, que firmou um acordo de delação premiada com a Justiça, o PT, partido da presidente, teria recebido de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões em propina como parte do esquema de corrupção descoberto pela Lava Jato.

Ainda de acordo com Barusco, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, gerenciava o recebimento de propinas para o partido no sistema que envolveu a petroleira, empreiteiras e políticos. Vaccari e o PT negam as acusações. O tesoureiro, que presta depoimento à CPI da Petrobras nesta quinta-feira (9), responde a processo sob acusação de receber doações para o PT oriundas de propinas pagas por empreiteiras para a obtenção de contratos com a Petrobras.

Três ex-diretores da estatal (Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque), já são réus no processo iniciado pela Lava Jato, além de Vaccari, executivos de empreiteiras que tinham contratos com a Petrobras e o doleiro Alberto Youssef, acusado de ser um dos operadores do esquema.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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