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09/04/2015 08:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Alvo de espionagem dos EUA, Brasil é elogiado pela OEA, que prevê um ano de ‘roubo de dados' no setor privado (ESTUDO)

Montagem/iStock e AP

Altos e baixos compõem a avaliação do Brasil no relatório divulgado nesta quarta-feira (8) pela Organização dos Estados Americanos (OEA), o qual trata de segurança digital na rede. Intitulado ‘Cibersegurança e Infraestrutura Crítica nas Américas’, o documento ressalta prós e contras quando o assunto é a internet, sejam para cidadãos, empresas e o governo brasileiro.

Quarto colocado em número de usuários de internet no mundo, com mais de 100 milhões de pessoas conectadas, “com incentivos do governo”, o Brasil é citado como “o mais digitalizado” país da América Latina e aquele com maior investimento na área de Tecnologia da Informação (TI), uma das poucas a ter registrado um expressivo crescimento em 2013 – 5,3%, o maior desde 2008.

Os investimentos na área de internet chegaram, em 2013, a R$ 160,7 bilhões, de acordo com a OEA, o que mostra “uma das prioridades-chave do governo brasileiro”, que conta “com uma rede de alertas e times para responder a incidentes de segurança”. Outro dado positivo registrado pelo relatório, produzido pela companhia especializada Trend Micro, foi o Marco Civil da Internet, sancionado no ano passado pela presidente Dilma Rousseff (PT), mas que ainda carece de maior regulamentação no País.

Do outro lado, os maiores problemas enfrentados pelas organizações brasileiras estão relacionados a hackers, competidores, ativistas virtuais e funcionários, sejam eles integrantes ou não da posição atual. O documento da OEA garante que “há um crescimento dramático” no número de incidentes registrados no Brasil na área de tecnologia, e que eles tendem a crescer, sobretudo diante das “frequentes notícias sobre corrupção e instabilidades social e política”.

“Dados de Brasil, Chile e México revelam que as maiores vulnerabilidades estão relacionadas às configurações de sistema erradas, seguidas por versões ultrapassadas e problemas em aplicativos. Entretanto, esses problemas estão associados a um nível alto de risco – 60% das vulnerabilidades expõem informações confidenciais, enquanto 30% representam um perigo à integridade e 10% são lacunas que abrem espaço para ataques contra a disponibilidade de informações e serviços”, comenta o relatório.

A exposição de seus dados não é novidade para o governo brasileiro. Em 2013, as revelações de Edward Snowden, ex-funcionário da NSA (Agência Americana de Segurança), de que o órgão espionou pessoas e empresas no Brasil por sete anos, causaram um abalo nas relações entre os dois países, fazendo com que Dilma cancelasse uma visita ao presidente Barack Obama, que prometeu acabar com a atividade.

Nesta sexta-feira (10), Dilma e Obama devem se encontrar em uma reunião da Cúpula das Américas, no Panamá. O tema da cibersegurança e da espionagem não deve ser o prioritário (posto a ser ocupado pelas relações econômicas entre os dois países), mas certamente não está fora da agenda de brasileiros e norte-americanos, já que quase metade dos 26 países que participaram da pesquisa que compõe o relatório da OEA já sofreram com a segurança na rede.

“Os governantes das Américas e do mundo precisam reconhecer as sérias vulnerabilidades inerentes à crítica infraestrutura e à possibilidade de sérias consequências se essa infraestrutura não for devidamente protegida. Desde redes elétricas, passando pelo tratamento de água e chegando à exploração de petróleo, todos esses sistemas são vitais virtualmente para toda a sociedade”, disse o secretário-executivo do Comitê Interamericano contra o Terrorismo, Neil Klopfenstein.

2 milhões de spams por dia

O Brasil só está atrás de EUA e Argentina quando o assunto são os chamados spams, aqueles e-mails não solicitados e que, em sua maioria, são considerados lixo eletrônico. Segundo o relatório, cerca de 2 milhões de spams são disparados pelo Brasil diariamente, sendo que uma quantidade significativa deles se passam por mensagens de bancos e cartões de crédito.

O combate ao lixo eletrônico é apenas um dos que o Brasil precisa enfrentar, ao lado dos orçamentos para pesquisa, desenvolvimento e inovação; a organização e controle dos atuais sistemas de segurança virtual; e a redução da dependência da tecnologia externa no que diz respeito a aquisições e suprimentos.

Um elemento comum que une todos os países das Américas envolve a falta de cooperação entre o setor público e privado, apesar de uma parceria público-privada ter sido firmada por representantes dos dois setores junto à organização.

Por fim, a OEA alerta para o grande problema que envolve os crimes cibernéticos, mais notadamente aqueles relacionados aos vírus que, por exemplo, roubam dados e senhas bancárias, uma questão ainda muito séria e comum nos países da América Latina, incluindo o Brasil, um país cuja economia “continua amadurecendo, apesar da falta de desenvolvimento de ferramentas e táticas de oferta” na área da internet.

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