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08/04/2015 14:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Internado após surto, PM admite ter sido o autor do disparo que matou Eduardo de Jesus no Complexo do Alemão

Montagem/Estadão Conteúdo

Dois policiais militares que participaram da operação que resultou na morte do menino Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, e outras quatro pessoas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, na semana passada, estão internados. A razão seria o abalo emocional e o surto psicótico sofrido por um deles. Este PM seria o autor do disparo que matou o menino.

Segundo reportagem do jornal O Globo desta quarta-feira (8), um dos dois PMs internados prestou depoimento à corporação e disse que pode ter sido do fuzil dele o disparo que atingiu a cabeça da criança, durante uma troca de tiros com traficantes na última quinta-feira (2). O nome dele e dos demais 11 policiais já ouvidos não foi revelado.

A acusação de que um disparo da PM havia matado Eduardo já havia sido prestada por testemunhas, que moram no Alemão, incluindo a mãe do menino, Terezinha Maria de Jesus. “Eu marquei a cara dele. Eu nunca vou esquecer o rosto do PM que acabou com a minha vida. Quando eu corri para falar com ele, ele apontou a arma para mim. Eu falei ‘pode me matar, você já acabou com a minha vida’”, disse ela.

Um inquérito militar está apurando internamente a conduta dos PMs na operação, enquanto a 8ª Delegacia de Polícia Judiciária da Polícia Militar e a Divisão de Homicídios da Polícia Civil também trabalham nas investigações. Além da autoria, a informação dos moradores de que cápsulas foram recolhidas pelos policiais no dia da tragédia também está sendo averiguada. No local, a perícia não encontrou a bala que matou Eduardo.

Na próxima semana, entre quarta e quinta-feira, a Divisão de Homicídios espera realizar uma reconstituição da morte da criança. A família de Eduardo, que segue no Piauí onde o menino foi enterrado, é aguarda para participar dos trabalhos. A meta da Polícia Civil é desfazer algumas contradições entre os depoimentos dos PMs.

A morte de outra moradora, Elizabeth de Moura Francisco, de 41 anos – atingida com dois tiros quando estava dentro de casa no dia 1º de abril – também deverá ser alvo de uma reconstituição. Fragmentos colhidos por peritos já comprovaram que eles são compatíveis com a munição utilizada pelos policiais militares no dia da operação.

Ao G1, líderes comunitários informaram, após reunião com representantes da PM do Rio, que querem somente uma coisa: paz. “Queremos paz. A reciclagem e todo aprimoramento pra ajudar o trabalho da polícia na comunidade são válidos. Queremos que haja um comprometimento da polícia com a vida e não com a morte”, disse o líder comunitário da Palmeira, Marcos Valério Alves.

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