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02/04/2015 18:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Tragédia no Quênia: Cerco a extremistas termina; número de mortos sobre para ao menos 147

Montagem/AP Photo

Autoridades quenianas anunciaram nesta quinta-feira (2) que terminou o cerco aos militantes que mataram mais de uma centena de estudantes após invadirem uma universidade na fronteira do Quênia e da Somália.

Segundo o Centro de Operações de Desastre Nacional do Quênia o número de mortos subiu para 147 pessoas. Quatro militantes também foram mortos e um suspeito foi detido. Ainda não está claro quantos invadiram a instituição de ensino.

Ainda segundo os dados oficiais, 79 pessoas ficaram feridas e 587 estudantes foram retirados às pressas de Universidade Garissa. Pelo menos nove alunos, de acordo com a BBC, foram removidos para Nairobi, por estarem em condições críticas de saúde.

O chefe de polícia do Quênia, Joseph Boinet, disse que o país africano declarou toque de recolher de 18h30 às 6h30 para quatro regiões perto da Somália como medida de precaução.

Homens fortemente armados invadiram o campus universitário no nordeste do Quênia na madrugada desta quinta. A ação do grupo somali Al-Shabab ressalta os desafios enfrentados pelo governo na tentativa de frustrar o terrorismo de dentro e além de suas fronteiras. O Al-Shabab, que realizou diversos ataques no interior da Somália e também em países próximos, assumiu a autoria do ataque realizado na cidade de Garissa, a sudoeste da fronteira somali.

O ataque é o mais violento no Quênia desde 1998, quando a embaixada dos Estados Unidos foi bombardeada por integrante da Al-Qaeda e mais de 200 pessoas morreram.

O porta-voz do Al-Shabaab assumiu a responsabilidade pelo ataque. "Nossos irmãos mujahedin conseguiram hoje realizar uma bem-sucedida operação na cidade de Garissa", disse xeque Abdiasis Abu Musab.

Ele disse que o ataque foi em resposta à presença militar queniana na Somália, que foi intensificada após ataques do grupo extremista nos últimos anos, dentre eles um ataque contra um shopping center de Nairóbi que deixou 67 mortos.

"Nós dissemos aos quenianos que retirassem seu Exército da Somália", disse o porta-voz do grupo. "Eles não quiseram nos ouvir, então esta é a nossa mensagem para eles."

Cenas de horror

Testemunhas descreveram cenas de terror, depois de pelo menos cinco homens mascarados e armados terem invadido dormitórios estudantis, por volta das 5h30 (horário local), enquanto muitos ainda estavam dormindo ou fazendo suas orações matinais. Não estava claro quantos foram feitos reféns.

"Um homem ordenou que deitássemos no chão e foi o que fizemos. Ele perguntou se éramos muçulmanos e eu respondi 'sim. Por favor, não nos mate. Somos muçulmanos'", relatou Nasir Abdurahman, estudante do segundo ano. "Ele perguntou se podíamos recitar a Shahada (a declaração de fé do islamismo) e eu recitei em voz alta. Meus amigos também recitaram em volume alto. Ele disse, 'vocês podem ir agora' e indicou o portão da frente para sairmos."

Assim que Abdurahman saiu, ele ouviu disparos de armas e gritos. Moradores também relatam terem ouvido sons de explosões durante o cerco.

Alguns estudantes fugiram passando pela cerca de arame farpado do campus, e com os atiradores mirando contra eles.

(Com informações das agências de notícias)