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02/04/2015 14:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Brasilienses querem mudar nome de ponte que faz homenagem a ditador Costa e Silva

Reprodução/Quadrado Brasília

Com a repercussão da iniciativa do governo do Maranhão de rebatizar escolas que levam nomes da ditadura militar, anunciada nesta semana, moradores de Brasília voltam a reivindicar a mudança em um ícone da cidade: a ponte Costa e Silva.

A homenagem ao ditador que instituiu o AI-5 (Ato Institucional nº5) parece não fazer sentido na capital do País. Afinal, o segundo presidente do regime militar foi o responsável por um dos golpes mais pesados contra as liberdades no Brasil dos anos 60 e 70.

A partir do AI-5, estava cassado o direito à manifestação e cerceada a atividade sindical. O Congresso Nacional foi fechado, e a censura à imprensa avançou dolorosamente.

Sensibilizadas com a notícia de que o governador Flávio Dino (PCdoB) modificou nome de dez colégios maranhenses, as amigas Daniela Cronemberger e Carol Nogueira fizeram uma espécie de manifesto em seu blog, Quadrado Brasília.

Com o post intitulado "Rollemberg, mude o nome da ponte", elas fazem um apelo ao governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e relembram como essa alteração é desejada há tempos:

Aqui já teve gente se mobilizando pela mudança do nome da ponte. Em 2012, estudantes do Levante Popular da Juventude do Distrito Federal fizeram um ato rebatizando a ponte de Honestino Guimarães. Um pouco antes, o Coletivo Transverso fez uma intervenção ótima e a placa ganhou o nome de Ponte Bezerra da Silva. Muito melhor, não?

Em 2012, a ex-deputada distrital Eliana Pedrosa (PPS-DF) apresentou na Câmara Legislativa do DF um projeto de lei para rebatizar a ponte.

Ela propôs uma consulta popular para escolher o novo nome. A lista de 14 opções, que incluía pioneiros de Brasília, políticos e intelectuais, era a seguinte:

Tancredo Neves

Ernesto Silva

José Aparecido

Itamar Franco

Bernardo Sayão

Israel Pinheiro

Elmo Serejo

Maurício Correia

Darcy Ribeiro

Renato Russo

Desembargador Lúcio Arantes

Frei Matheus

Anísio Teixeira

Marechal José Pessoa

Em março de 2013, o governador Agnelo Queiroz vetou a íntegra da proposta.

A ponte Costa e Silva foi batizada assim por decreto em 1969. Ela liga a Asa Sul, no centro de Brasília, ao Lago Sul, bairro nobre da capital.

Em outras cidades, também não é nova a tentativa de dar adeus aos nomes dos agentes de repressão.

Há cerca de dois anos, comissões da Verdade em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná vêm sugerindo a substituição, a fim de limpar do patrimônio público qualquer homenagem a “autoridade que tenha cometido crime de lesa-humanidade ou graves violações de direitos humanos”.