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30/03/2015 10:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Bancada feminina aposta na reforma política para aumentar presença no Legislativo

Luis Macedo / Câmara dos Deputados

Representando apenas 10% da Câmara, as mulheres deputadas tentam se unir em torno de uma agenda comum para conseguir ter voz em um ambiente dominado por homens. Depois do mal estar gerado com a intervenção do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na maneira pela qual elas poderiam escolher a coordenadora, o grupo tenta aos poucos juntar os cacos para consolidar a luta das mulheres na Casa.

No início da Legislatura, Cunha definiu que o mesmo modelo usado na escolha do presidente, pelos blocos, deveria ser adotado para definir quem seria a representante da bancada. A eleita conta com assento no Colégio de Líderes, onde são definidas as pautas a serem votadas na Casa.

O temor das veteranas era de que o conservadorismo prevalecesse e as pautas progressistas fossem engolidas pelo cotidiano da Casa. Com a abstenção de deputadas de partidos como PT e PCdoB, a deputada Dâmina Pereira (PMN-MG) foi eleita e chegou a causar espanto entre algumas colegas. Até então, Dâmina era conhecida por ter dito que nunca tinha pensado em se candidatar e por ter entrado na disputa por uma vaga na Câmara após o marido, ex-prefeito de Lavras (MG), Carlos Alberto Pereira ter sido barrado pela Justiça eleitoral.

A primeira semana de Dâmina, entretanto, surpreendeu. Ficou evidente, que após anos de batalha, a bancada havia se tornardo um espaço relevante no Congresso. Dâmina adotou um discurso mais progressista, no mesmo tempo em que as deputadas conseguiram vitórias. Uma delas foi a aprovação da PEC da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que garante uma vaga na Mesa Diretora para as mulheres. Outra, foi um jantar com a presidente Dilma Rousseff. Pela primeira vez, o grupo foi convidado para discutir política com a presidente.

No encontro, além de ouvir da presidente um apelo pela aprovação do ajuste fiscal, as mulheres puderam pedir apoio da para a bandeira que agora as une: mais espaço para participação feminina no legislativo. Diante a diversidade da bancada, o tema tem consenso. Ninguém nega que é preciso assegurar a participação feminina na Casa.

A estratégia é aproveitar a discussão sobre a reforma política para inserir propostas estimulem e garantam a presença feminina. Uma das propostas é criar cota de 30% das vagas no Legislativo para as mulheres mais votadas, seja na Câmara, no Senado ou nas assembleias.

"Elas entenderam que precisam se unir para defender a reforma e aproveitaram os eventos para isso. De 34 membros na comissão da reforma política, só três são mulheres. Como vão discutir uma reforma inclusiva se são minoria? Elas tem que fazer a voz ecoar", disse uma progressista ao Brasil Post.

A Professora Dorinha (DEM-TO), que faz oposição ao governo, tenta minimizar as queixas. "A divisão na bancada foi mais política. Estamos unidas e vamos lutar por mais espaço para as mulheres. Esse é um dos nossos focos", disse. Na base governista, o discurso é o mesmo. "A sub-representação da mulher tem que ser enfrentada através da reforma política, que só será feita com o aumento da democracia participativa”, ressalta Érika Kokay (PT-DF).

Na Pauta

Unidas pela reforma, as deputadas também começam a montar um plano de combate à violência contra as mulheres. O caso da mulher que foi degolada pelo companheiro em Pernambuco assim como o da que foi morta a tiros em frente a um hospital no Rio Grande do Sul chocou a bancada. Para este ano, a proposta é discutir a possibilidade de diligências auditadas e ampliar os debates para evitar que casos como esses se repitam.