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27/03/2015 16:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

PIB 2014: Apesar de crescer, números não são saudáveis e em 2015 devem piorar

dhani borges/Flickr

Como já esperado pelo mercado, o PIB fechou o ano de 2014 praticamente estagnado, com alta de apenas 0,1%, conforme informou o IBGE nesta sexta-feira (27). Segundo o economista e consultor do Vida Investe (iniciativa da Funcesp na área de educação financeira e previdenciária), Ricardo Figueiredo, o resultado se torna ainda mais preocupando quando se atenta aos componentes do índice.

“Além de ser pequeno, não tem qualidade. Percebe-se que o crescimento foi puxado pelo investimento do governo, o que de certa forma é algo negativo, porque o País tem de crescer pelo setor produtivo, como a indústria, comércio, construção. Estes, tiveram retração no Produto Interno Bruto”, explica.

Dentre os componentes, a indústria recuou 1,2% no ano. “A indústria, que poderia ter participação mais relevante na oferta de trabalho no Brasil, vai no sentido oposto, encolhendo, gera ainda menos emprego e com menor qualidade”, comenta Ricardo.

Outro componente que deixou a desejar foi a formação bruta de capital fixo, com queda de 4,4% em 2014 de participação no PIB. O desempenho negativo foi puxado pela construção civil. Apesar de serviços fechar o PIB com crescimento de 0,7%, o segmento de comércio encolheu 1,8%.

Outro indicador ruim é o PIB per capita, que diminuiu 0,7% em relação ao ano de 2013. Isso significa que o que o País conseguiu gerar não comportou o crescimento da população.

“Vemos que o crescimento foi forçado com os gastos do governo. É como um voo da galinha - você sabe que não vai muito longe”, diz Ricardo. Segundo ele, os dados são resultado de grandes gastos do governo, ações e medidas tomadas tardiamente e pela falta de investimento no setor produtivo. "Agora teremos um ano ainda mais difícil.”

E 2015?

Segundo Ricardo, o mercado prevê um ano de ajustes fiscais, queda do consumo, crescimento do PIB negativo e inflação beirando a 8%. "O PIB não cresce se a inflação está alta. Ai é um efeito dominó: a inflação fora de controle afugenta o consumo, as pessoas se endividam menos e o custo de vida sobe. Ao mesmo tempo, os empresários investem menos e tendem a demitir mais. Com desemprego crescente, o trabalhador perde barganha e a remuneração cai. Com menos pessoas consumindo, as empresas produzem menos.”

Além disso, com Selic a 12,75% ao ano, o empresário e investidor, que poderiam investir na economia real - fomentando startups ou expandindo empresas - se sentem mais tentados a investir em Títulos do Governo, que trazem retorno parecido mas dão mais segurança. “Para eles, é melhor negócio investir em títulos que remuneram 13% ao ano do que se arriscar abrindo uma empresa numa economia estagnada. Em vez de incentivar o investidor a gastar seu dinheiro fomentando a economia, ele faz o contrário ao aumentar os juros, a fim de conter a inflação para frear o consumo.”

Com projeção de que a Selic cresça ainda mais (podendo chegar a 13% a.a.), Ricardo alerta que não é recomendado contrair dívidas de curto e longo prazo neste ano, como se endividar com cartão de crédito ou financiar um carro ou casa. “O consumidor precisa ter muita cautela e paciência.”

Em meio ao ‘caos’ econômico, a notícia boa é que a partir de 2016 a economia pode começar a dar sinais de recuperação, como resultado das medidas de ajustes fiscais apresentadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “O mercado prevê uma inflação mais para o centro da meta e um PIB tímido, mas positivo."

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