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26/03/2015 09:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Germanwings: Procurador francês afirma que copiloto derrubou avião de propósito; 150 pessoas morreram

AP Photo

Autoridades francesas confirmaram na manhã desta quinta-feira (26) que a queda do avião da Germanwings foi deliberada.

"Temos a transcrição dos 30 últimos minutos de voo. Durante os 20 primeiros minutos, os pilotos conversam de forma normal e gentil. Depois, escutamos o comandante preparando os procedimentos de aterrissagem. As respostas do copiloto parecem lacônicas. O comandante pede que o copiloto assuma o comando. Escutamos ele empurrar o banco para trás e fechar a porta. Saiu para ir ao banheiro. Quando está sozinho, o copiloto manipula o "flight monitoring system" para iniciar a descida. A ação só pode ser voluntária. Escutamos várias chamadas do comandante pedindo para entrar. Não houve nenhuma resposta. Escutamos um ruído de respiração até o impacto. O copiloto estava vivo."

Brice Robin, procurador de Marselha e responsável pela condução das investigações, afirmou que a descida da aeronave foi deliberada, pois o avião já estaria em piloto automático, e foi iniciada pelo copiloto, identificado como Andreas Lubitz, cidadão da Alemanha de 28 anos. Ele afirma ainda que, durante a descida do avião, o ritmo de respiração do piloto era constante e não indica que ele estivesse inconsciente.

"O copiloto não tinha nenhuma razão para impedir que o comandante entrasse na cabine. É um comportamento suicida, mas nos dá medo de dizer", afirma ele, dizendo que o copiloto aproveitou a ausência do piloto para inciar, deliberadamente, o procedimento de descida.

De acordo com Robin, os passageiros perceberam, nos últimos momentos, o que estava acontecendo. Ele diz que é possível ouvir gritos nos instantes finais da gravação.

A informação de que um dos pilotos da aeronave tinha ficado trancado para fora da cabine foi revelada na noite desta quarta-feira (25) pelo jornal americano New York Times.

Os investigadores seguem agora a busca da caixa-preta, que vai ajudar a descartar que outras causas não tenham interferido na queda. A primeira caixa-preta, que já foi examinada, continha as conversas dos pilotos. A segunda, que ainda é procurada, contém os parâmetros de voo.

Segundo Robin, o copiloto trabalhava há alguns meses para a companhia, e tinha "algumas centenas de horas" de experiência de voo. Já o piloto acumulava mais de 6.000 horas de voo em aeronaves A320.

A Lufthansa disse que as portas da cabine podem ser abertas pelo lado de fora com um código, de acordo com os regulamentos apresentados após os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos. No entanto, o sistema de código pode ser bloqueado a partir de dentro da cabine, segundo explica um vídeo promocional da Airbus publicado online e confirmado pela fabricante de aviões.

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