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26/03/2015 07:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Com primo investigado e crise das universidades, Beto Richa reenvia polêmico ‘pacotaço' para Assembleia do Paraná

Montagem/Estadão Conteúdo

Remodelado, o polêmico ‘pacotaço’ voltou à pauta da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Se há quase dois meses a Casa foi ocupada durante uma grande mobilização grevista dos professores, agora o governador Beto Richa (PSDB) preferiu ser mais cauteloso. Mas a necessidade de aprovação da medida é apenas uma diante de várias dores de cabeça do tucano.

Segundo o jornal Gazeta do Povo, desta vez não há nenhuma proposta para mexer em benefícios dos servidores estaduais. As discussões passam ainda pela Paranaprevidência e, discutindo o tema com mais partidos e a sociedade, a bancada governista espera poder votar as medidas no começo do próximo mês. Refinanciamento de dívidas e a venda de débitos a receber estão propostos, em uma economia estimada em mais de R$ 2 bilhões.

O ponto talvez mais polêmico diz respeito aos que têm algum valor a receber do governo. Quem vence uma disputa judicial contra o Estado em valor inferior a 40 salários mínimos (cerca de R$ 31,5 mil) deve receber o valor em até 60 dias hoje (pagamento com precatórios aqui é vedado). Pelo ‘pacotaço’, o valor cai para R$ 12 mil e o prazo de pagamentos é estendido para 90 dias.

Importante lembrar que o atual estado ruim das contas do Paraná está diretamente relacionado com alterações e medidas do próprio governador durante o seu primeiro mandato no Palácio Iguaçu. Assim, o que o ‘pacotaço’ prega é um ajuste fiscal que, em geral tenta reaver dinheiro de quem deve ao Estado, com benefícios, e permite renegociações e adiantamentos daquilo que o Paraná tem em dívidas e recursos.

Parente de Richa que queria ser secretário é investigado

Está em liberdade Luiz Abi Antoun, parente de Beto Richa que é investigado por participação em um esquema de fraude em licitações de oficinas para o conserto de carros do Estado do Paraná. Ele foi preso no dia 16, horas depois de participação de protestos contra a corrupção e contra a presidente Dilma Rousseff (PT).

Apesar do governador alegar que se tratava de um ‘parente distante’, Antoun já trabalhou no gabinete do tucano quando ele foi deputado estadual, e a família dele doou R$ 100 mil para a campanha de Richa de 2014, de acordo com informações do Jornal de Londrina. O parente do governador ainda fez doações em 2008, como pessoa física, quando Richa se reelegeu como prefeito de Curitiba. Há ainda fotos que desmentem o tal 'afastamento'.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), Antoun usou uma oficina, que está registrada em nome de um ‘laranja’ dele, para ganhar uma licitação de R$ 1,5 milhão, a qual dava direito a realizar a manutenção de veículos do governo estadual. Outro citado na mesma investigação é Márcio de Albuquerque Lima, que já foi parceiro de Richa em competições de automobilismo, uma paixão antiga do tucano, informou o G1.

Preso no início do ano por envolvimento em um esquema de prostituição de menores, o ex-assessor da Casa Civil Marcelo “Tchello” Caramori disse que Antoun tinha influência também na Receita estadual.

Universidades estaduais seguem esperando

Um professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina) disse à reportagem do Brasil Post que a situação da instituição segue muito difícil, mas que ainda assim os professores voltaram às aulas na semana passada. A situação tem ligação direta com a falta de repasses do governo estadual, a qual chegou a criar o temor de que pelo menos seis universidades estaduais viessem a fechar as portas.

Coincidência ou não, o deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR) deu entrada nesta semana com um projeto para a federalização das universidades públicas estaduais do Paraná. Pelo projeto, a UFPR (Universidade Federal do Paraná) ficaria responsável pelas demais sete universidades paranaenses – e, consequentemente, pelos seus repasses financeiros.

“Estas instituições consomem R$ 2,5 bilhões do orçamento estadual anualmente. Com a incorporação, esses recursos poderiam ser aplicados em outras áreas importantes, principalmente no ensino básico e fundamental”, disse Kaefer, em declarações reproduzidas pelo diretório estadual do PSDB.

A cessão ‘generosa’ do ensino superior estadual ajudaria na contenção de gastos do governo do Paraná e repassaria o ônus à União – aquela que, recentemente, foi apontada como culpada por Richa para o infortúnio no caixa paranaense. “O crescimento e a sustentabilidade dessas instituições dependem de sua inserção em uma rede mais ampla consolidada como a federal”, completou Kaefer.

Não há previsão de quando esse projeto será analisado pelo Congresso.