MULHERES
25/03/2015 19:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Comissão de Combate à Violência contra Mulher empaca por indefinição das integrantes do colegiado

Montagem/Agência Senado/Estadão Conteúdo

Criada a partir de uma CPI como forma de combater a violência contra a mulher, a comissão mista que trata do tema enfrenta uma série de obstáculos internos para decolar. Faltam parlamentares para preencher as vagas, entendimento para a escolha de quem irá comandar a relatoria, foco e há até uma ponta de machismo.

Nem mesmo o puxão de orelha que as integrantes da comissão deram nos homens da Casa na semana passada ajudou a mudar o cenário.

Convocada para dar início à votação de requerimentos que devem nortear os trabalhos, a reunião desta quarta-feira (25) foi marcada por um desentendimento entre a presidente da comissão, a senadora Simone Tebet (PMDB-MS) e a deputada Luizianne Lins (PT-CE).

A petista disse que foi indicada pelo líder do partido para a relatoria da comissão, já a peemedebista disse que recebeu um documento assinado pelo vice-líder do PT que indicava outra parlamentar.

Sem consenso sobre como proceder, a presidente da comissão quis apelar para instância superior, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL). A solução de Tebet evidenciou o tanto que a comissão está esvaziada e sem autonomia.

Rapidamente, as deputadas relembraram de como foi quando pediram palpite de alguém e consultaram o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na hora de eleger a coordenadora da Bancada Feminina.

Para Luizianne, a presidente da comissão deveria resolver os problemas internamente.

"As mulheres sempre tentam agir como os homens, sendo que temos muito a ensinar. Não precisamos fazer como eles fariam para mostrar que temos poder. Poderíamos decidir por conta própria, somos capazes."

Simone Tebet, então, decidiu deixar para a escolha da relatora para a próxima que vem. Enquanto o colegiado não resolve as pequenas burocracia, o mérito da comissão fica em segundo plano. Embora tenham aprovado requerimentos, a pauta da comissão da próxima semana será dominada pelo debate da relatoria.

Há ainda outra queixa das integrantes do colegiado: nenhum homem compareceu no grupo nem demonstraram interesse em participar. Além da ausência masculina, das 74 cadeiras, 27 ainda estão vagas. Há comissões, como a de Direitos Humanos, onde os parlamentares lutam por vagas.

"Sou a única mulher do meu partido, vou pedir ao líder que indique homens para compor o grupo. Aqui não é a bancada feminina, é uma luta de todos", ressalta a deputada Professora Dorinha (DEM-TO).

Outro obstáculo da comissão é a falta de foco. Com um tema amplo, a presidente do colegiado tem alertado que haverá muito trabalho, mas as integrantes ainda não traçaram um plano de trabalho nem decidiram sobre o que irão discutir primeiro.