COMPORTAMENTO
25/03/2015 16:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

8 erros de pessoas que não se deram bem em relacionamentos

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Não há nada melhor para prepará-lo para o próximo grande amor de sua via que refletir sobre o que deu errado em seus relacionamentos passados. A experiência triste e arrasadora do divórcio contém um tesouro de lições a nos ensinar.

Abaixo, escritores divorciados refletem sobre o que lamentam em relação ao casamento que terminou e como isso os deixou mais preparados para encarar um novo relacionamento futuro.

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O QUE LAMENTO: INTERROMPER

“A única coisa que eu faria diferente em meu casamento, se pudesse, é que deixaria de interromper. Não estou dizendo que meu marido nunca me interrompesse ou que fosse um ouvinte incrível, mas eu vivia interrompendo-o. Por que fazia isso? Prefiro pensar que não era por eu ser egoísta, mas porque, quando era garota, sentia que precisava brigar para ser ouvida. E eu lutei tanto para fazer com que ele me ouvisse e para me defender. Não é essa a grande questão? Fiquei na defensiva. Eu não ouvia – preparava minha réplica. Na maior parte do tempo, nenhum de nós dois ouvia realmente o outro. Por que eu vivia na defensiva? Essa é outra camada da cebola. Eu me sentia incompreendida por ele. Vivia com a sensibilidade à flor da pele, com medo da rejeição dele. Odiava decepcionar a ele ou qualquer outra pessoa. Por isso eu vivia interrompendo-o e pedindo para fazer um aparte, como se fosse advogada, para obrigá-lo a enxergar meu lado da discussão. Para desativar a raiva dele e obrigá-lo a voltar a me amar, de alguma maneira. Se eu pudesse reviver tudo, ficaria quieta e o ouviria mais – quero dizer ouvir de verdade --, em vez de ficar apenas preparando meu discurso e falando.” Laura Lifshitz, casada por cinco anos.

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O QUE LAMENTO: NÃO DIZER O QUE EU PENSAVA

“Eu não entendia que o conflito na realidade é uma coisa positiva. Antes dos meus casamentos e durante eles, eu pensava que desentendimentos fossem a pior coisa possível. Por isso eu fazia qualquer coisa, me submetia a qualquer coisa, para evitar discussões. Acabei ficando ressentido e com raiva porque não conseguia me expressar, e minha ex perdeu o respeito por mim porque eu não dizia o que pensava. Agora eu digo o que penso o tempo todo e estou aprendendo a fazer perguntas de maneira que a outra pessoa tenha espaço para refletir sobre elas e comunicar seus sentimentos” -Bill Lennan, casado por dez anos.

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O QUE LAMENTO: EU ME NEGAVA A SER VULNERÁVEL

“Enquanto fui casada, eu me isolei no papel de mulher forte e que não se deixava abater com nada. Eu queria ter ficado mais à vontade para mostrar minha vulnerabilidade e ter deixado meu ex-marido ver como minha força ia e vinha. Havia horas em que eu não me sentia forte, em que não me sentia calma e tranquila. Às vezes tinha vontade de jogar tudo para o alto, me enfiar debaixo dos cobertores e ser abraçada. Meu marido raramente ou nunca via esse lado meu. Eu o guardava para os momentos de solidão durante viagens longas de negócios. Não deixava minha vulnerabilidade transparecer. Quando ele chegava em casa depois de um voo de 17 horas, pálido e com os olhos vermelhos, eu raramente o recebia com alegria e carinho declarados. Eu poderia ter dito que sentira saudades dele, mas poucas vezes o fazia. Achava que tinha que me mostrar uma mulher forte. Mas não era verdade. Eu não precisaria ter sido assim, poderia ter me mostrado mais como sou realmente. Poderia ter sido mais vulnerável, mais expressiva e desinibida. Isso, sim, é ser realmente forte.” Becky Cavender, casada por 12 anos.

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O QUE LAMENTO: NÃO TER VIVIDO CADA MOMENTO PLENAMENTE

“Desde o começo eu comecei a planejar nossa vida. Com a cerimônia e a festa de casamento, o esforço para ter uma promoção no trabalho e a busca por uma casa, meu nível de estresse estava no auge. Isso me impedia um pouco de focar sobre o que era importante e impôs alguma tensão sobre nós. Quando olho para trás, queria ter curtido mais o processo todo. Tentei fazer coisas demais em pouco tempo, e isso causou tensão para mim, para ela e para nossa relação. Se você perguntar a ela, tenho certeza que ela dirá a mesma coisa.

Nós dois acabamos quase que esquecendo por que íamos nos casar. Eu a adorava, mas, pela primeira vez em nosso relacionamento de longo prazo, minha atenção se voltou para outra coisa, porque eu queria dar uma boa vida a ela. Me esforcei ao máximo, mas me perdi um pouco. É verdade que tivemos uma casa, algo que nunca tínhamos imaginado possuir, um casamento que superou nossos sonhos mais desvairados, e nós dois tínhamos carreiras profissionais ótimos que possibilitaram tudo isso, mas cada um de nós acabou perdendo o outro de vista. Tanto assim que acabamos nos distanciando um do outro.” Anthony D'Ambrosio, casado por dez meses.

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O QUE LAMENTO: TER CEDIDO DEMAIS

“Sou uma pessoa amorosa e compassiva, mas também sou vulnerável. Eu deixei meu marido me convencer de que eu era o problema. Na verdade, nós dois éramos. Se eu pudesse voltar atrás, não deixaria meu medo me dominar e não daria rédea solta à natureza passivo-agressiva dele. Eu questionaria por que me afastava. Talvez não fosse por minha causa. Talvez eu devesse ter prestado atenção aos sinais de aviso que ele me deu ou devesse ter tido mais consciência de meu medo e do meu isolamento auto-imposto. Quando comecei a defender o que pensava e queria e a tomar consciência de minha força, as barreiras se romperam, e ele explodiu. Vou aprender com o passado. Vou me manter forte, vou conservar minha voz. Vou cuidar de meus filhos e confiar irrestritamente em meus instintos e meu coração. E, se algum dia eu me casar de novo, não ficarei calada.” Jenny Kanevsky, casada por 17 anos.

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O QUE LAMENTO: NÃO TER SIDO AUTÊNTICO

“Faltou autenticidade desde o começo. Quando você é jovem, poucas coisas são mais importantes para você que ser amado, aceito e validado pela outra pessoa. Então você busca isso a qualquer custo, mesmo que isso signifique mascarar quem você realmente é por dentro. Aprenda comigo: esconder quem você realmente é para ser aceito por outra pessoa é inútil. No final, nunca dá certo.

Defino a autenticidade como a prática diária de abrir mão de quem você pensa que deve ser e abraçar quem você é realmente. Ou, como escreveu Shakespeare, “acima de tudo, sê fiel a ti mesmo”. Em outras palavras, seja quem você é. Sempre. Nada na vida será mais importante que isso, nunca. Levei quase 40 anos para aprender essa lição.” Austin Blood, casado por 12 anos

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O QUE LAMENTO: TER ACREDITADO QUE MEU CASAMENTO ERA À PROVA DE DIVÓRCIO

“Meus pais estão casados há 45 anos. Os pais de meu ex, há 47. Antes de a gente se casar, achamos que tínhamos feito tudo certinho. Namoramos por quatro anos, fomos viver juntos, cada um tinha sua própria carreira profissional. Tínhamos bichos de estimação, viajávamos. Pensávamos e nos sentíamos igual de tantas maneiras, mesmo em nossas ideias sobre o divórcio. Sabíamos que o divórcio é uma realidade –só não na nossa família. Achávamos que não devíamos deixar essa porta aberta, então nenhum de nós dois jamais imaginou que isso pudesse nos acontecer.

Mas a vida é imprevisível e confusa, e às vezes coisas ruins acontecem com pessoas realmente boas. Todos nós erramos, e o futuro nunca é como imaginamos que será. É válido ter esperanças e sonhos específicos na vida e trabalhar para concretizá-los. Mas, quando você fecha os olhos para qualquer outra possibilidade, como eu fiz, a queda, quando você cai, é muito mais dolorosa. Porque você perde não apenas seu marido, mas o único futuro que jamais se imaginou tendo. Foi esse aspecto do meu divórcio que me deixou mais arrasada que qualquer outro –foi cair sozinha, sem corda para me segurar. Se eu pudesse voltar atrás, não condicionaria todos meus sonhos a apenas um ideal. Eu também teria fé em ficar bem se a vida acabasse saindo diferente do que eu esperava.” Shannon Lell, casada por oito anos.

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O QUE LAMENTO: TER DEIXADO OS PROBLEMINHAS PEQUENOS VIRAR PROBLEMÕES

“Para mim, o casamento é como um jardim. Quanto mais você cuida dele, mais ele vai florir. O romantismo fornece as vitaminas e os nutrientes. Os valores e metas compartilhados são o solo no qual cada planta encontra força para crescer e aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas pelo jardim. Todo o resto são ervas daninhas: os ciúmes, as coisas que distraem sua atenção. Os desentendimentos que vocês não resolvem até a hora de ir para a cama. Todas as briguinhas sobre coisinhas à-toa que não têm a menor importância no longo prazo. As disputas por território e superioridade, sobre quem estava certo ou errado.

Sempre haverá ervas daninhas. Todo jardim as tem. Mas, se você as arrancar assim que as perceber, isso reduzirá as chances de elas crescerem, se alastrarem e acabarem destruindo seu jardim. Qual foi meu erro? Eu deveria ter prestado mais atenção às ervas daninhas.” Tom Sturges, casado há 15 anos.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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