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24/03/2015 12:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

‘Caçador de pizzas', líder do Vem Pra Rua critica Lula e se diz contrário ao impeachment de Dilma Rousseff (VÍDEO)

Plural, horizontal e contra golpismos. Foi assim que o empresário Rogério Chequer, líder e idealizador do movimento Vem Pra Rua, definiu o grupo que integrou os protestos do último dia 15 de março, voltados contra a corrupção, contra a presidente Dilma Rousseff e contra o partido dela, o PT.

Em entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura, concedida na noite desta segunda-feira (23), ele se mostrou contrário ao impeachment de Dilma, pelo menos no presente momento. “O impeachment é um processo jurídico e político, onde precisamos dessas duas bases para que ele tenha sucesso. Ainda não encontramos uma tese que possa dar prosseguimento. Mas deixo claro que isso pode mudar, que nós podemos mudar de opinião a qualquer momento”.

Apesar de dizer que o movimento é apartidário, ele admitiu que apoiou a candidatura de Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições do ano passado, já que era contra a reeleição de Dilma. “Teríamos apoiado qualquer candidato que fosse”, disse Chequer.

O empresário ainda criticou a postura do ex-presidente Lula de polarizar o País.

“Acho que isso veio em grande parte da atuação do PT nos últimos 12 anos e do ex-presidente Lula, nos discursos que ele sempre trouxe, de colocar um contraponto entre trabalhadores e empresários. Nós contra eles. Os ricos contra os pobres. Isso é lamentável, pois estamos em uma guerra de extremos no Brasil, e não precisa ser assim. Se quiserem colocar um lado contra o outro, seria os que pagam impostos contra os que recebem”, comentou.

Chequer defendeu que o movimento – um verdadeiro ‘caçador de pizzas’ – não é elitizado, ao contrário do que se prega (pesquisas apontaram isso recentemente). Criado em 2014, o Vem Pra Rua conta com lideranças de diversas classes sociais, segundo o empresário, e já tem novos protestos marcados para abril, a começar pelo dia 12. O mote, de acordo com ele, será ‘Eles não entenderam nada’, em alusão às respostas do governo federal após o dia 15.

“Temos empreendedores, donas de casa, muitos desempregados, empresários. Sou capz de apostar que o grupo menos comum é o de empresários”, comentou, dizendo ainda que o grupo hoje conta com 2,5 mil pessoas, das 150 são consideradas os líderes.

Chequer falou ainda que o movimento é contra a intervenção militar, justificando que “não tem nada que possamos fazer pra evitar” a presença de manifestantes com faixas exaltando os militares e a ditadura. Por fim, ele garantiu que Dilma e o PT não são os únicos alvos do Vem Pra Rua, mas sim toda a classe política. E eles querem ser ouvidos.

“Pra quem estava nas manifestações, nosso caminhão [no protesto em São Paulo, no último dia 15 de março] trazia os nomes de todos os acusados na lista do [procurador-geral da República Rodrigo] Janot. Queremos monitorar os processos de investigação e punição, que envolvem o governo, mas estão ligados ao Congresso. Será uma investigação neutra? Haverá interferência entre os poderes? Estamos criticando qualquer possibilidade de pizza, estamos nos colocando como caçadores de pizza”, finalizou o empresário.

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