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23/03/2015 15:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Comoção e protesto marcam enterro de jovem afegã que foi morta por multidão

AP Photo

Centenas de pessoas protestaram nesta segunda-feira (23) em Cabul, no Afeganistão, após uma mulher ter sido morta por uma multidão que a acusava de ter queimado um exemplar do Alcorão, livro sagrado para os muçulmanos.

O incidente ocorreu na última quinta-feira (19) e a vítima foi identificada como Farkhunda, de 27 anos de idade. Segundo informações da Radio Free Europe, a jovem foi queimada, arrastada e jogada em um rio da capital do país.

O ministro do Interior Noorulhaq Ulumi disse nesta segunda ao parlamento afegão que a “acusação contra a garota é completamente inválida”. Ele também anunciou que 26 pessoas foram presas por suposta ligação com o crime, incluindo policiais que não fizeram nada para impedir o ataque.

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Jovem é morta por multidão em Cabul


De acordo com veículos locais, a confusão começou depois que ela discutiu com um homem, que fez a acusação. Uma multidão então se formou ao redor da jovem, e começou o linchamento.

O presidente do país, Ashraf Ghani, classificou o crime como “hediondo”, e ordenou que uma comissão investigue a morte.

O crime também foi condenado pela Organização das Nações Unidas, que afirmou que o aumento de casos de violência contra a mulher no país é alvo de “grande preocupação”.

À CNN, seu pai afirmou que a jovem ensinava religião para crianças.

Ativistas bloquearam as vias próximas à mesquita onde Farkhunda foi morta e percorreram o mesmo caminho que a multidão que linchou a jovem percorreu.

Muitas mulheres usavam máscaras com a foto do rosto da jovem coberto de sangue. O registro circulou pelas redes sociais.

O corpo de Farkhunda - que foi enterrado neste domingo (22) - foi carregado por mulheres, que desafiaram a tradição de que apenas os homens podem comparecer a este tipo de cerimônia.