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21/03/2015 13:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Mônaco, paraíso fiscal que abriga dinheiro descoberto pela Lava Jato, tem custo de vida 104% mais alto que São Paulo

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Um pequeno principado à beira do Mediterrâneo tomou as manchetes brasileiras nesta semana após a descoberta de que o ex-diretor de Internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada, próximo alvo da Operação Lava Jato mantinha 11 milhões de euros em conta secreta de Mônaco.

Ele teve a dinheirama bloqueada em duas contas que controlava no banco Julius Baer. As instituições financeiras de Mônaco são destinos de montantes gigantescos de dinheiro, por um motivo bem simples.

O principado, que está encravado na beira do Mediterrâneo é livre de impostos. Ou seja, quem vive por lá não sabe o que é Imposto de Renda, nem imposto sobre fortuna, nem imposto territorial ou imposto predial (há algumas exceções para cidadãos franceses).

Mônaco também oferece um sistema fiscal de baixa tributação para favorecer a indústria de ponta e as sociedades de gestão de multinacionais, de acordo com o jornal espanhol El Mundo.

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Mônaco: Imagens deslumbrantes


A economia do país depende do setor de serviços, do turismo e, é claro, dos setores bancários e financeiros. Mônaco também é sede do emblemático cassino de Monte-Carlo, um dos mais famosos e exclusivos do mundo.

É o segundo menor país do globo — com uma área de 1,9 km², equivalente a dez Maracanãs. Está atrás apenas do Vaticano.

Com esse “perfil tributário”, Mônaco virou a queridinha dos milionários. Grandes nomes da F1, como Felipe Massa e Rubens Barrichello, vivem lá. Há alguns pilotos, no entanto, que mantêm um apartamento e fingem viver no principado, para pagar menos impostos.

É ilegal, no entanto, forjar residência em outro país para escapar da carga tributária do local onde se vive. O tenista alemão Boris Becker declarou viver em Mônaco entre 1991 e 1993, quando na verdade vivia em Munique, na Alemanha.

Sua farsa foi descoberta e ele teve que desembolsar US$ 3 milhões para o Fisco alemão.

De acordo com dados de 2009, dos 35.646 habitantes que vivem por lá, apenas 7.634 são monegascos. Cidadãos de pelo menos 125 nações vivem no território.

Governado pelo príncipe Albert II, Mônaco não faz parte da União Europeia, mas tem uma série de acordos com o bloco e usa o euro como moeda.

Ainda sobre a família real, que tem uma postura mais “descontraída” do que o resto da realeza europeia, o príncipe de Mônaco é filho de Grace Kelly, princesa que ainda é um grande ícone no país.

Ele é casado com a ex-nadadora sul africana Charlene Wittstock. No ano passado, nasceram os gêmeos do casal real (os primeiros herdeiros “legítimos” do príncipe, que tem mais dois filhos fora do casamento) : Jacques Honoré Rainier e Gabriella Thérèse Marie.

Mesmo sendo dois minutos mais velha do que Jacques, Gabriella está atrás na linha de sucessão.



Se você, nosso querido leitor milionário, se animou, prepare-se para pagar caro. De acordo com o site colaborativo Expatisian, o custo de vida em Mônaco é 104% mais alto do que o de São Paulo. A maior diferença está justamente no custo da moradia, que é 263% mais cara na beira do Mediterrâneo do que às margens do Rio Pinheiros.

Se nada disso o impede, saiba que nas rochas monegascas fica o apartamento mais caro do mundo, no imponente Tour Odeon. Uma cobertura por lá sai pela bagatela de R$ 1,2 bilhão e conta com quatro andares, piscina infinita, toboágua, serviços privados, boate e uma vista de tirar o fôlego do Mar Mediterrâneo.

Só para ricaços ou nababos da Lava Jato...