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18/03/2015 09:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

Impopularidade de Dilma supera a de FHC, no pior momento de seu mandato, e cola na de Collor antes de impeachment

Montagem/Estadão Conteúdo

O histórico protesto de 15 de março, quando mais de dois milhões foram às ruas, abalou mais uma vez a imagem do governo Dilma Rousseff. E o dano atual é muito maior que o enfrentado pelos três antecessores dela na Presidência da República. A taxa de rejeição da petista atingiu 62%, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (18).

Em 24 anos, esse é o segundo maior percentual de reprovação de um presidente. Dilma perde apenas para Fernando Collor, que em 1992 alcançou 68% de desaprovação — e às vésperas do impeachment.

Na crise gerada pela desvalorização do real, em 1999, Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, bateu 56% de rejeição.

O desgaste sofrido por Itamar Franco, em 1993, com o escândalo dos "anões do Orçamento" lhe rendeu 41% de impopularidade. Já Luiz Inácio da Silva Lula foi o presidente menos rejeitado: teve apenas 29% de reprovação, quando o escândalo do mensalão implicou a cassação de seu homem forte, José Dirceu, em 2005.

A cúpula do Palácio do Planalto acordou em alerta com os resultados expostos na capa do jornal Folha de S.Paulo. A preocupação é legítima: afinal, Dilma ainda nem completou o terceiro mês de seu atual mandato e já enfrenta uma expressiva queda de apoio em diversos setores da população.

Os índices de brasileiros que consideram a gestão de Dilma ruim ou péssima vêm crescendo substancialmente desde o fim do ano passado:

dez/2014: 24%

fev/2015: 44%

mar/2015: 62%

A proporção de pessoas que julgam seu governo ótimo ou bom segue o sentido oposto:

dez/2014: 42%

fev/2015: 23%

mar/2015: 13%

Este é o nível mais baixo de popularidade de Dilma desde quando tomou posse, em janeiro de 2011.

A nota média dada ao eleitorado à presidente é 3,7 — a pior dela já apurada pelo Datafolha.

Jogaram para baixo a avaliação de Dilma o aumento da inflação, o pessimismo sobre a economia do País e a possibilidade de avanço no desemprego.

O instituto ouviu 2.842 eleitores na segunda-feira (16) e na terça-feira (17).

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Congresso reprovado

A aprovação ao Congresso Nacional também está minguando, segundo o Datafolha. Apenas 9% consideram ótimo ou bom o trabalho dos parlamentares.

Exatamente metade dos brasileiros (50%) avaliam o desempenho de deputados e senadores como ruim ou péssimo.

Essa taxa de rejeição só é menor que 1993, na época do escândalo dos "anões do Orçamento".