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18/03/2015 21:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

Dilma Rousseff aceita demissão de Cid Gomes, mas Eduardo Cunha é quem faz o anúncio

Montagem/Estadão Conteúdo

Juntou a vontade dos deputados, principalmente do PMDB, de pressionar e a falta de papas na língua do então ministro da Educação, Cid Gomes (PROS), e resultou em uma cena que resume a relação do governo com o Congresso. A base tensionou, o ministro não se segurou e foi o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que, no uso de todo seu protagonismo, anunciou a demissão de Gomes para todos os deputados presentes no plenário.

Cid foi convocado à Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre a afirmação que fez na Universidade do Pará de que na Câmara tem "uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles". "Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais dele, aprovarem as emendas impositivas", emendou.

O ex-ministro pisou no Congresso com a missão de pedir desculpa, mas não se segurou. Teve um dia de fúria e fez tudo fora do protocolo. Pediu perdão aos que não agem daquele jeito, mas reafirmou tudo que tinha dito e ainda alfinetou o presidente da Casa. A cada declaração, se enrolava ainda mais. Deputados pediam a demissão dele e diziam que a permanência dele no cargo representava um desrespeito ao parlamento. 

O PMDB, de Cunha e parte da chapa da presidente Dilma Rousseff, anunciou que deixaria o governo, caso ele não deixasse o ministério. O então ministro só não aguentou a troca de farpas quando o deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ) o acusou de fazer papel de palhaço. Cid tentou responder, mas seu microfone foi cortado. Sem poder de voz, jogou a camisa e deixou o plenário.

 

Dirigindo o próprio carro, o político que fez carreira no Ceará foi direto para o Palácio do Planalto. Ele ainda estava lá quando Cunha anunciou sua demissão.

"Comunico à Casa o comunicado que recebi do chefe da Casa Civil comunicando a demissão do ministro da Educaçaõ, Cid Gomes."

No início da tarde, antes mesmo de Cid chegar ao Congresso, já se falava na demissão dele nos corredores da Câmara. A intenção de alguns parlamentares era vencer o ministro pelo cansaço e fazer com que ele assumisse que não tinha mais condições de continuar no primeiro escalão do governo. 

Cid acabou assumindo que a situação era insustentável. Após entregar a carta de demissão, ele disse à jornalistas no Palácio do Planalto que lamentava muito e agradecia:

“Eu disse à presidenta que lamentava muito e que continuo confiando nela, mas que a minha presença no ministério ficou numa situação de contraponto com boa parte da base que apoia o seu governo."

Ele reafirmou que "não podia agir diferente senão confirmando aquilo que disse e o que penso". 

A cena traduziu o peso que o PMDB tem no governo de Dilma. Embora Cid tenha atingido toda a classe de parlamentares, os peemedebistas foram os mais aguerridos. Eles estão irritados com o ex-ministro desde a eleição para a presidência da Casa. Na época, Cid junto com o ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), articulou como soldado da presidente a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) na disputa pelo comando da Câmara. Chinaglia foi duramente derrotado por Cunha.

O PMDB usou toda sua artilharia na comissão geral ao ouvir o ex-ministro. Enquanto o ministro ainda falava, integrantes do partido fizeram chegar na presidente que eles sairiam a base, caso o ministro não deixasse o cargo por conta própria ou fosse demitido.

Cerca de uma hora após o anúncio de Cunha, o Palácio do Planalto divulgou uma nota oficial:

O ministro da Educação, Cid Gomes, entregou nesta quarta-feira, 18 de março, seu pedido de demissão à presidenta Dilma Rousseff. Ela agradeceu a dedicação dele à frente da pasta.