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18/03/2015 17:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

'Achacadores': Pedido de desculpas de Cid Gomes tem críticas a Cunha e a deputados infiéis

Montagem/Agência Brasil/Estadão Conteúdo

Em missão de paz, o ministro da Educação, Cid Gomes, desobedeceu ordens médicas de que deveria ficar em repouso para cuidar da saúde e compareceu ao plenário da Câmara dos Deputados para pedir desculpas aos parlamentares. O ato, porém, culminou com ataques ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e "infiéis", que são da base e não votam com o governo.

Em visita à Universidade do Pará, no fim de fevereiro, o ministro se referiu aos deputados como achacadores. Disse que há na Câmara "uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais dele, aprovarem as emendas impositivas".

Nesta quarta-feira (18), ele recuou.

“Se alguém teve acesso a uma gravação não autorizada que não reflete a minha opinião pública que me perdoe. Eu não tenho mais idade. Eu não tenho direito de negar a tantos quanto nesses 20 anos de vida pública. Eu não tenho como negar aquilo que pessoalmente, de maneira reservada, falei no gabinete do reitor.”

Em seguida, o ministro disse que nunca teve duas palavras, mentiu ou fugiu de suas responsabilidades. “Me perdoem. Não tenho nenhum problema em pedir perdão para os que não agem desta forma. Aos que não se comportam deste jeito, me desculpem, não foi minha intenção ofender ninguém individualmente."

O pedido, entretanto, veio com um ataque ao presidente da Casa e a parlamentares da base que não votam com o governo. Ao convocar o ministro para prestar esclarecimentos, Cunha o chamou de "mal-educado". “Prefiro ser acusado por ele de mal-educado do que ser acusado como ele de achaque, como diz a capa da Folha de S. Paulo”, retrucou Cid.

O ministro disse ainda que os partidos de oposição devem fazer o dever de oposição. "Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso, saiam do governo”, emendou.

Indignado com a declaração, o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), reagiu. "Nós não somos aqui uma cobra cega", argumentou. Para ele, o ministro desrespeitou a Casa e o governo precisa cobrar respeito dos seus ministros ao parlamento. O PMDB disse ainda que se a presidente não tirá-lo do governo, o partido deixará a base.

Saúde

Gomes deveria ter comparecido à Casa no início do mês, mas explicou que faltou porque pegou uma sinusite, que afetou a traqueia e o pulmão. Uma comissão foi formada por parlamentares visitar o ministro e analisar o quadro médico. O ministro está afastado do ministério até sexta-feira para cuidar da saúde. A presidente Dilma Rousseff, entretanto, aconselhou o ministro a prestar esclarecimentos e pedir desculpas para não piorar ainda mais a relação do governo com o parlamento.

A intenção da presidente não foi alcançada, de acordo com o líder do DEM, Mendonça Filho (BA). O deputado pediu a demissão do ministro, a quem acusou de só ter piorado a crise. "Fico pasmo com a capacidade desse governo de produzir crises, embaraços e situações vexatórias. Estamos entrando para cena internacional da desmoralização da política"