LGBT
17/03/2015 09:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

Eduardo Cunha diz na TV não achar "correta" a adoção de crianças por homossexuais

Montagem/AP e Reprodução

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), demonstrou desconforto em ser associado à recriação da comissão especial na Casa para avaliação do Estatuto da Família - polêmico projeto que determina como núcleo familiar apenas aquele composto por homem e mulher e que veda a adoção para casais homossexuais.

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (16), Cunha disse não ter lido o projeto e afirmou ter reaberto a comissão para avaliá-lo, dentro de um processo regimental. Ele alegou que é o processo normal para quando um parlamentar solicita a retomada da análise de um projeto - retomá-lo do ponto onde havia parado.

Pressionado pelos entrevistadores, Cunha admitiu considerar errado que casais homossexuais possam adotar uma criança e não respondeu se sua posição seria um retrocesso para a sociedade brasileira. "Sou contra, acho que não é a melhor maneira de você educar. Sou a favor de uma educação mais 'igualitária', não acho correta a adoção por homossexuais."

Cunha alegou que defender pautas conservadoras não significa ser um político conservador. O peemedebista argumentou que "ninguém está indo contra os direitos", mas que a minoria não pode "impor sua pauta" sobre a maioria.

Ele reafirmou ainda sua posição contrária ao aborto e disse que deveriam ser presos os médicos que realizam esse tipo de cirurgia, em seu ver um crime hediondo.

"Se fosse hoje, PMDB provavelmente não faria aliança com PT"

Cunha disse ainda que, se fosse hoje a convenção do PMDB para manter o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), ela provavelmente desfaria a parceria originada no segundo mandato do ex-presidente Lula. Perguntado durante o programa Roda Viva se hoje o partido votaria pela manutenção da aliança, respondeu: "Acho que não, não pela presidenta, mas pelo PMDB; a política tem circunstâncias". Segundo Cunha, é evidente que houve um enfrentamento entre os dois partidos e que isso deixou sequelas.

Para Cunha, seu partido, antes maior aliado do PT e hoje em atrito com o governo, não aceita o "presidencialismo de cooptação", que ele alega ter sido imposto pelo governo Dilma. O presidente da Câmara disse que o PMDB não quer "carguinhos", mas quer ser partícipe do governo. "Governar não é só dando cargo, é compartilhando soluções a serem adotadas", afirmou.

Cunha afirmou que todos sabem da necessidade do ajuste fiscal, bastando ter algum entendimento da economia, mas reclamou que, nos últimos anos, a presidente não chamou o PMDB à mesa de decisões e que, agora, tenta impor o ônus dos erros de seu governo ao PMDB, quando transfere ao Congresso a responsabilidade de aprovar as medidas.

Cunha disse considerar um absurdo a quantidade de ministérios - 39 - e afirmou já ter sugerido a redução para 20. Ainda com relação a cargos, declarou que será um erro da Presidência se achar que vai reconquistar o PMDB simplesmente dando posições em ministérios ou no segundo escalão. "Não é pelo fato de ter mais cargos que vai fazer estar mais ou menos presente governo. O PMDB quer ter opinião, voz e influenciar. Queremos ser partícipes, não queremos mais cargos."

O peemedebista também reclamou da articulação do Planalto de apoiar a movimentação de Gilberto Kassab (PSD), de criar o PL no intuito de atrair parlamentares de outros partidos (inclusive do PMDB) e depois fundir o PL ao PSD, inflando sua representação no Congresso. "Não dá pra defender reforma política e estimular a coleta de assinaturas comprada, arranjada por agentes políticos com subterfúgios. O objetivo ali não é criar partido, com ideologia, mas a busca pelo poder, na cooptação de parlamentares para enfraquecer aliados."

Para Cunha, o governo petista partiu para essa estratégia porque perdeu força política, passou de uma "hegemonia eleitoral" dos três primeiros mandatos petistas para uma "vitória eleitoral" apertada. O peemedebista acredita que se somaram fatores negativos para o governo de Dilma, da comunicação falha do ajuste fiscal à população às denúncias de corrupção na Petrobras. "É uma combustão", afirmou, e depois repetiu a crítica de que os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) demonstraram incompreensão das manifestações de rua deste domingo (15).

Ainda assim, Cunha admitiu ter visto hoje um governo mais humilde na postura da presidente - Dilma admitiu na tarde desta segunda-feira que pode ter errado na dosagem da política econômica anticíclica do primeiro mandato.

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