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16/03/2015 23:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:13 -02

Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, diz que reação dos ministros a protestos foi desastrosa, mas chama impeachment de golpismo

CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), criticou nesta segunda-feira (16) a reação do governo da presidente Dilma Rousseff aos protestos de domingo (15). Ele considerou desastrosas as declarações dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria-Geral, Miguel Rossetto.

"Foi um desastre. Um veio falar de reforma política, achando que as ruas estavam pedindo o fim do financiamento empresarial de campanha", disse. E o outro, segundo ele, foi dizer que só estavam lá os eleitores que não votaram na presidente. "Há os que não votaram nela, mas também os que votaram e não estão mais apoiando", disse o peemedebista, em entrevista ao jornalista Mario Sergio Conti.

Na avaliação de Cunha, a presidente deveria ter ido público se explicar. Para ele, um dos erros foi o governo ter adotado um discurso na campanha e não ter seguido nos primeiros meses do segundo mandato. Na opinião dele, a presidente deveria montar uma agenda para o País, dizendo claramente onde quer chegar.

Reconhecido pela afinidade com o setor econômico, o peemedebista fez uma robusta defesa do ajuste fiscal. "É necessário para o Brasil não perder o grau de investimento", justificou. Segundo ele, os danos à economia são iminentes. O peemedebista, entretanto, disse que é preciso ver como o governo vai fazer esse rearranjo.

No entendimento dele, as pessoas foram às ruas em protesto à corrupção, com "a falta de governança do governo". "Uma coisa foi erro político de ter feito enfrentamento com partido aliado no truque de impedir minha candidatura na presidência da Câmara", exemplificou. Para ele, o governo não é de coalizão, como se propõe, mas "é na verdade de cooptação".

Apesar das críticas à mandatária do País, Cunha, responsável por dar aval aos pedidos de impeachment, rechaçou a impugnação.

"Isso beira a ilegalidade, inconstitucionalidade, para não dizer golpismo. Ela foi eleita legitimamente. Aqueles que se arrependeram do voto vão ter que esperar as próximas eleições para consertar, mas temos outros problemas que têm que se vistos."

O início do segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi usado por Cunha para contextualizar o momento que o País vive. Ele ressaltou que FHC também passou por problemas de popularidade, teve que enfrentar problemas cambiais, uma CPI e ver o presidente do Banco Central preso.

"Ele saiu ali de uma forma honrosa. A presidente deveria ter colocado para nação que precisava do ajuste, qual consequência que aquilo teria e o que viria de bom para a população depois do ajuste fiscal."

Lava Jato

Na entrevista, Cunha voltou a dizer que foi selecionado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para figurar na lista enviada ao Supremo Tribunal Federal para abertura de investigação. "Meu pedido de abertura de inquérito é uma piada, um absurdo", ironizou.