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13/03/2015 16:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Greves, problema no Fies e R$ 1,7 bilhão retidos mostram cenário difícil para educação no Brasil, o País dos ‘Charlinhos'

Montagem/Estadão Conteúdo e YouTube

“Você gosta mais de batata ou de estudar?”

“Eu gosto mais de batata e gosto mais de estudar também”.

O diálogo acima é o mais notório do esquete de ‘Charlinho, o menino que só queria estudar’, do humorístico Hermes e Renato. A piada e a ironia feita pelo grupo caem como uma luva diante do atual cenário do ensino superior no Brasil, no qual alunos precisaram madrugar em filas durante a semana para ter acesso ao Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) do governo federal.

Estudantes que iniciam o procedimento no site do programa para ter acesso ao fundo possuem 10 dias para aprovar a matrícula e encaminhar os documentos ao banco. Mas o sistema do Fies, gerenciado pelo MEC (Ministério da Educação), não funcionou para milhares de estudantes brasileiros. Segundo o ministério, a grande procura derrubou o site. E, enquanto isso não é resolvido, a vida fica difícil para os alunos.

“Tem dias que a gente dorme três, quatro horas da manhã pensando que o site vai melhorar um pouquinho, mas nada”, disse a universitária Raquel de Souza, em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo. Contudo, esse é apenas um dos muitos problemas da educação brasileira em 2015.

grafico fies

Estudantes têm sofrido com os problemas no Fies (Gráfico/Estadão Conteúdo)

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, cerca de R$ 1,7 bilhão destinados à educação foram retidos pelo governo federal, que tenta organizar as suas contas. Assim, além do Fies, outros programas seguem passando por dificuldades, incluindo aqui o Pronatec e o Pátria Educadora. Diante disso, as universidades federais perderam R$ 173 milhões - queda de 34% - do dinheiro que é dirigido ao "funcionamento de instituições". Outros R$ 53 milhões - corte de 33% - foram retidos dos investimentos em "reestruturação e expansão".

As mesmas instituições federais enfrentam dificuldades entre os terceirizados, e serviços como segurança e limpeza estão aquém do necessário em diversas universidades, algumas delas já com o cronograma de aulas atrasado. “Um ano que se atrasa o processo de expansão já tem impacto direto sobre as metas do Plano Nacional de Educação”, afirmou o presidente da Associação dos Reitores Federais (Andifes), Targino de Araújo.

Nesta sexta-feira (13), 5ª Vara da Justiça Federal, no Distrito Federal, deu 10 dias para o MEC informar a data exata em que a situação financeira será regularizada. De acordo com o G1, a AGU (Advocacia-Geral da União) vai recorrer.

Para os alunos do Fies, o MEC já informou na quinta-feira (12) que todos os contratos já firmados serão renovados, apesar do prazo final de 30 de abril estar cada vez mais próximo. Até o momento, foram renovados mais de 830 mil contratos de um total de 1,9 milhão. Há vagas para novos contratos e a lentidão do sistema está sendo resolvida, conforme informou a Agência Brasil.

Enquanto a crise não é solucionada, há o temor de que greve como a que atingiu o ensino no Paraná – Estado no qual os docentes cruzaram os braços por cerca de um mês, e no qual universidades ameaçaram fechar as portas por falta de repasses – seja registrado em outros Estados.

A única certeza é que os ‘Charlinhos do Brasil’ seguirão tentando fazer aquilo que gostam: estudar. Como o melhor fica para o final, segue a íntegra do episódio.

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