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12/03/2015 17:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli diz que era impossível identificar corrupção na estatal

Montagem/Agência Senado/Estadão Conteúdo

Presidente da Petrobras de 2005 a 2012, Sérgio Gabrielli disse nesta quinta-feira (12) ser impossível para a empresa ter descoberto internamente as ações de corrupção dos ex-dirigentes da estatal Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, delatores da Operação Lava Jato da Polícia Federal, que investiga desvio de cerca de R$ 10 bilhões da estatal.

“É impossível se pensar que era possível identificar na Petrobras esse tipo de comportamento”, disse Gabrielli. Ele também afirmou que esses ex-dirigentes apropriaram privadamente de recursos da estatal.

Segundo o ex-presidente, para descobrir esse tipo corrupção foram necessárias investigações policiais. O ex-presidente lembrou mesmo os escritórios especializados em investigação contratados pela Petrobras, ou as auditorias internas do Tribunal de Contas da União não chegaram a uma conclusão sobre os processos de corrupção em contratos com a estatal.

“Os orçamentos (de contratos de empreiteira com a Petrobras) não vazaram, estavam de acordo com a realidade de mercado, não estavam com superfaturamento em sua contratação”, afirmou Gabrielli. A Petrobras admite que os valores das propostas fiquem entre 15% e 20% a mais do valor estimado para a obra.

O aumento do valor estimado para a obra foi um dos itens questionados pelo relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras em dezembro de 2014, deputado Marco Maia (PT-RS). O relator apresentou uma proposta de novo regime de contratação para as estatais, porque, segundo ele, um dos principais problemas enfrentados na prática de corrupção na Petrobras está ligado ao regime de contratação da estatal.

Crise

Gabrielli, que falou dos avanços da estatal nos últimos doze anos em diferentes áreas como produção e refino de petróleo, disse estar preocupado com o futuro da economia brasileira com os desdobramentos da Lava Jato no setor de petróleo e gás.

“A paralisação desse setor pode impactar 1 milhão de postos de trabalho. Se desmontamos a cadeia de produção de petróleo e gás, teremos a substituição dos fornecedores atuais por fornecedores internacionais.”

De acordo com o ex-presidente da estatal há o risco de condenar a economia brasileira a uma crise mais profunda pelo comportamento de “algumas pessoas”, sem citar quem seriam os responsáveis pelos problemas na Petrobras.