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12/03/2015 14:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Deputados do governo e da oposição batem palma e elogiam Eduardo Cunha após depoimento na CPI da Petrobras

JOEL RODRIGUES/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) mostrou força antes, durante e depois do seu depoimento à CPI da Petrobras, na manhã desta quinta-feira (12). O peemedebista falou por quase uma hora, repetiu o discurso que os pedidos de investigação feitos ao Supremo Tribunal Federal (STF) possuem ‘cunho político’ e acabou aplaudido pelos demais parlamentares.

“Alguns investigados têm provas robustas contra eles, e outros sequer tem indícios contra eles, e os que existem foram desmentidos”, disse o líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), para reforçar que não há indícios de irregularidades cometidas por Eduardo Cunha, contrariando as delações premiadas obtidas na Operação Lava Jato, as quais embasaram o pedido de investigação do procurador-geral Rodrigo Janot.

O tucano comparou a situação de Cunha com a do senador e ex-governador de Minas Gerais Antônio Anastasia (PSDB), também citado por Janot. “Evidentemente não estamos utilizando a mesma regra a todos os investigados. Entramos na linha da ilação, e não da confirmação. Esse tipo de atuação não combina com ação do Ministério Público”, complementou Sampaio.

Na mesma linha seguiu o líder do Solidariedade, deputado Arthur Oliveira Maia (BA), que também demonstrou seu apoio ao presidente da Câmara. “O depoimento de Cunha devolveu à Casa a convicção de que seu presidente não tem nada a ver com esses episódios (...). Cadê o chefe? Parlamentar não nomeia diretor de Petrobras e não autoriza compra de Pasadena [refinaria da Petrobras]. Quem faz a delação premiada tem que provar que o que está falando corresponde à verdade”.

O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), e o líder do Democratas, Mendonça Filho (PE), questionaram a ‘fragilidade’ do pedido de abertura de investigação contra Cunha. Embora apoiando o trabalho do Ministério Público, ambos pediram foco nas provas que de fato existam contra os investigados e que, se o presidente da Câmara tivesse algo a temer, não teria apoiado a criação de uma nova CPI da Petrobras nessa legislatura.

A prova de força de Cunha fica ainda mais evidente se for levado em conta o apoio que ele recebeu até mesmo do líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC). De acordo com o petista, não há razão para o nome do presidente da Casa estar entre os investigados. “Essa é a opinião de minha bancada”. Segundo Sibá, a CPI deve “separar disputas políticas de fatos concretos” e a divulgação de supostas irregularidades cometidas sem provas “é maldosa para a imagem das pessoas”.

Naturalmente, houve quem não perdesse a oportunidade de ‘cutucar’ a presidente Dilma Rousseff (PT). Foi o caso do líder do PTB, deputado Arnaldo Faria de Sá (SP). Para ele, “a crise do outro lado da rua [do lado do Palácio do Planalto] não pode ser transferida para este lado”. “Quem é o chefe, a quem interessa tudo isso?”, questionou Sá. O parlamentar disse que a tentativa de se incluir Cunha no rol dos investigados é de tentar atingir a Casa.

O líder da Minoria, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), afirmou que o conteúdo e a firmeza das posições apresentadas por Cunha à CPI dão aos partidos e aos parlamentares tranquilidade para seguir trabalhando. “É a sinalização ao País de que nós temos plena e absoluta estabilidade nesse processo sob sua presidência, para caminharmos em dos momentos mais delicados e agitados e que chamam atenção da sociedade brasileira”, concluiu.

(Com Agência Câmara)

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