COMPORTAMENTO
09/03/2015 13:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Novo documentário sobre Kobe Bryant vai além do basquete e explora a paternidade e o fracasso

Kobe Bryant não tem paciência para escrever um livro. Ele diz isso no trailer de seu novo documentário para a Showtime, “Kobe Bryant’s Muse” (a musa de Kobe Bryant, em tradução livre). Dirigido por Gotham Chopra, o filme mostra um lado novo do atleta. Bryant examina sua criação, seus revezes e fracassos e contempla a vida além da glória no basquete.

“Quero pensar em duas coisas”, diz Bryant. “Coisas a que quero me dedicar e tirar dos ombros.”

Bryant e sua mulher, Vanessa, assistiram a uma exibição privada do filme na última quinta-feira (5), no London Hotel, em Los Angeles. A sala estava cheia de atletas profissionais na estica e agentes em ternos caros. O ex-ala Rick Fox procurava um lugar para carregar seu telefone. Ray Charles e Etta James tocavam nas caixas de som. Bryant era só sorrisos e posava como todo mundo que pedia uma foto.

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“Kobe Bryant’s Muse” é mais que uma coleção dos seus melhores lances. Sim, há ótimas imagens dele ao longo da carreira, inclusive arremessos da sua primeira temporada na liga que nem encostaram no aro. Mas, em vez de se concentrar nos All Star Games, nos títulos e nos recordes – Bryant recentemente passou Michael Jordan na lista de jogadores que mais marcaram pontos na NBA –, os produtores queriam ir mais fundo, mostrando um lado mais sombrio. Chopra e Bryant, que foi produtor executivo do filme e esteve envolvido em todas as etapas do processo, exploram emoções complexas e conflituosas por trás do sucesso do jogador do Los Angeles Lakers.

Para começar, a âncora do documentário é a lesão devastadora no tendão de Aquiles sofrida por Bryant em 2013. Vários atletas profissionais que tiveram uma contusão semelhante foram obrigados a parar. Mas a recuperação tornou-se uma fonte de motivação para Bryant, e o filme se concentra nos efeitos que a lesão e a recuperação tiveram na vida pessoal do jogador.

Para Bryant, às vezes chamado de arrogante e convencido, o filme é uma oportunidade de revelar histórias pessoas e vulnerabilidades. Ele fala sobre crescer como um estranho na Itália e depois voltar, igualmente um estranho, para os Estados Unidos. O basquete era seu refúgio e um antídoto para a solidão. O esporte foi o equivalente a um psiquiatra, reflete Bryant.

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As partes mais sombrias do filme são dolorosas. Bryant fala da sensação de ter desapontado sua mulher e sua família, embora não mencione explicitamente o caso de ataque sexual de 2003 que foi muito divulgado (e mais tarde derrubado na Justiça) e fez do jogador um personagem constante dos tabloides. Esses momentos mostram um Bryant muito mais vulnerável que em qualquer aparição nas quadras. Ele fala de acordar todas as manhãs com medo de que aquele fosse o dia em que ele perderia a mulher e os filhos. Ele também lembra do aborto natural sofrido por sua mulher, num período de muito estresse no casamento. Olhando para a câmera, Bryant diz sem rodeios que a culpa foi sua.

Ao longo de “Kobe Bryant’s Muse”, é palpável a sensação de alegria e propósito que Bryant tira da paternidade. Depois de 18 anos nas quadras, fica claro que a estrela de 36 anos aprendeu a aceitar algumas de suas limitações. No fim do filme, ele diz que seu cérebro é incapaz de processar fracassos. Ele até mesmo admite que a ideia de fracassar parece pior que a morte. “Em que momento a determinação e o desejo se tornam irracionais?”, pergunta Bryant.

Há um ar de profunda contemplação em Bryant – quase um questionamento filosófico sobre como o que amamos e o que fazemos influenciam o núcleo de nossa identidade. Ao se aproximar do fim da carreira, seus pensamentos são cada vez mais existenciais. “Não sou mais um garotão. E tudo bem”, diz Bryant. “Mas quando você tem certeza? Quando você deixa tudo para trás?”


Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.


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