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04/03/2015 22:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Lista de Janot tem cerca de 45 políticos. Parlamentares estão divididos sobre a quebra de sigilo

Montagem/Estadão Conteúdo

Desde que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF a abertura das investigações contra os políticos envolvidos na Operação Lava Jato, deputados e senadores estão divididos entre a quebra dos sigilos dos processos. De acordo com o G1, de 54 nomes, a lista traz cerca de 45 de políticos de diversos partidos. São apurados crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

Entre os possíveis envolvidos estão os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os dois negam qualquer envolvimento. Renan disse que não foi avisado nem pelo Planalto "nem por ninguém". "Questionar homens públicos é uma coisa democrática. O que não pode acontecer é o homem público deixar de ter a resposta convincente de modo que, desde logo é importante dizer que eu não tenho absolutamente nada com isso", disse.

Os advogados de Cunha encaminharam ao STF pedido para terem acesso aos "processos ou procedimentos" em que o parlamentar tenha sido citado. Para recorrer à corte, os advogados fazem referência às notícias de que Cunha, assim como Renan, foi avisado de que seu nome estava na lista de Janot dos futuros investigados.

A lista com o nome dos envolvidos está nas mãos do ministro do STF, Teori Zavascki. A tendência é que o ministro acate a solicitação de Janot e quebre o sigilo de todos os inquéritos. A expectativa é que a decisão do ministro seja publicada até sexta-feira.

O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC) defende que o sigilo seja mantido. Para ele, os nomes só devem ser divulgados depois que a denúncia for apresentada. Já o líder do PSDB na Casa, Carlos Sampaio (SP), diz que a sociedade tem o direito de saber quem está sendo investigado.

Furou o teto

O deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE) afirmou nesta quarta-feira (4) que nunca foi interlocutor do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Em delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que o presidente do Senado usava o parlamentar como "interlocutor" dos contatos com a diretoria - reduto do PP no esquema de corrupção e propina investigado pela Operação Lava Jato.

Segundo o delator, os pagamentos ao peemedebista "furaram" o teto de 3% estabelecido como limite dos repasses a políticos no esquema.

O esquema de corrupção na Petrobras desbaratado a partir de março de 2014 envolvia o loteamento de diretorias da estatal pelo PT, PMDB e PP. Por meio delas, eram arrecadados entre 1% e 3% de propina em grandes contratos Segundo Costa, a propina excedeu os 3% para que "fosse incluído um valor para Renan".

(Com Estadão Conteúdo)