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28/02/2015 00:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Sai Jose Mujica, volta Tabaré Vázquez: Entenda a 'dobradinha' na presidência uruguaia

Montagem / AP Photo

Jose “Pepe” Mujica, o presidente uruguaio mais pop de todos os tempos, entrega neste domingo (1º) a faixa presidencial. Quem assume no seu lugar é seu antecessor, Tabaré Vázquez.

Médico oncologista, Vázquez governou o país de 2005 a 2010 quando passou a faixa presidencial para, veja só, Mujica.

E a festa promete ser boa. Estão confirmadas as presenças de 150 delegações, e vários chefes de Estado como a presidente Dilma Rousseff, a líder chilena Michelle Bachelet, o cubano Raul Castro e outros mandatários como Horacio Cartes (Paraguai), Rafael Correa (Equador), Nicolás Maduro (Venezuela) e Ollanta Humala (Peru).

Entre as ausências mais sentidas estão a da presidente argentina, Cristina Kirshner. O fato de a vizinha não ir à posse, aliás, evidencia uma crise entre os dois países, algo que caberá a Vázquez resolver.

Tudo indica que a expectativa dos uruguaios é grande em relação ao novo mandatário. A população avalizou o nome: Vázquez foi o presidente mais votado do país nos últimos 70 anos.

Ele encontra um país economicamente estável, com desemprego baixo, mas preocupado com educação e segurança. Esses dois pontos foram, inclusive, reconhecidos por Mujica como “falhas” de sua gestão.

O novo governante do Uruguai já definiu todo seu gabinete de ministros e deve começar a botar seu estilo de governo em prática já na segunda-feira (2). De acordo com informações da Prensa Latina, entre seus primeiros projetos a serem implementados está a criação de uma Comissão da Verdade para apurar crimes cometidos durante a ditadura uruguaia (1973-1985).

Mais conservador do que Mujica — que é descrito por analistas como irreverente, negociador e impulsivo —, e com um perfil mais tradicional, Vázquez vetou a legalização do aborto em 2008. O projeto foi posteriormente aprovado em 2012, durante o mandato de Mujica.

O novo presidente já afirmou que não vai voltar a legislar sobre o assunto.

E a maconha?

Se Mujica ganhou projeção internacional por ter legalizado o consumo — e o mercado — da erva, Vázquez parece não gostar muito da ideia. Esse ponto, aliás, é considerado uma das principais divergências entre os dois co-partidários.

O novo presidente se mostrou pouco receptivo ao fato de, por exemplo, a lei prever que a maconha seja oferecida em farmácias.

“É incrível mas, se a lei autoriza, assim será”.

Outro desafio de Vázquez será a precificação da maconha, passo que deve ser dado ainda no seu mandato. Ele deverá estabelecer um valor justo, que viabilize a produção e que desarticule os cartéis de drogas. E foi categórico:

“Se em algum momento virmos que não funciona, não teremos dúvida em fazer as correções necessárias."

E o que Mujica respondeu?

“Problema dele. Que discuta com o Parlamento.”