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27/02/2015 13:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

No ritmo atual, reconstrução de Gaza vai levar mais de cem anos, afirmam organizações internacionais

Dan Kitwood/Getty Images

Mais de cem anos. Esse é o tempo estimado pela Oxfam – organização de ajuda humanitária – para reconstruir Gaza.

Seis meses após o cessar-fogo, o bloqueio imposto por Israel continua a impedir que cheguem a Gaza materiais de construção e outros itens vitais para reconstruir o local.

As estimativas divulgadas pela Oxfam nesta quinta (26) são assustadoras: segundo cálculos feitos pela organização, menos de 0,25% dos caminhões com materiais essenciais conseguiram entrar em Gaza nos últimos seis meses.

De acordo com o Guardian, Israel vem impedindo a entrada de material de construção afirmando que os itens podem ser usados pelo Hamas para construir novos túneis e lançar foguetes em seu território.

Para reconstruir casas, escolas, estabelecimentos de saúde e outras instalações, são necessários nada menos do que 800 mil caminhões de materiais de construção. Em janeiro, 579 veículos acessaram Gaza. Desde novembro, foram apenas 1,677 veículos. No ritmo atual, a reconstrução de Gaza vai levar 119 anos.

O bloqueio complica ainda mais a situação de cerca de 100 mil pessoas – mais da metade delas crianças – que vivem de forma precária e improvisada desde que suas casas foram destruídas.

O último conflito em Gaza, que durou 50 dias, foi o mais longo e sangrento da história: 2.200 palestinos e 73 israelenses foram mortos, 16 mil casas no território ficaram em ruínas e 133 mil foram danificadas.

Além da Oxfam, 30 agências internacionais divulgaram nesta quinta (26), um comunicado conjunto, afirmando que estão “alarmadas com o progresso limitado na reconstrução das vidas daqueles afetados”.

Ainda de acordo com o texto, a comunidade internacional vem falhando em fornecer assistência adequada a Gaza. Uma pequena parte de um montante de US$ 5,4 bilhões que seria doado para a reconstrução do território de fato chegou a Gaza. A doação foi estabelecida em outubro, durante uma conferência no Cairo, no Egito.