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House of Cards: As personagens da política brasileira que poderiam fazer parte da série

27/02/2015 02:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02
Montagem/André Murched/Brasil Post

Chegou o tão esperado dia! Unhas foram roídas, redes sociais vasculhadas em busca de vazamentos, mas, como sempre, os Underwood controlaram a situação, protegeram seus segredos e fizeram você esperar até o fim.

É hoje a estreia da terceira temporada de House of Cards no Netflix!

O magnífico enredo da série desnuda os bastidores de uma democracia onde vale tudo pelo poder. E já que dizem que a arte imita a vida, o Brasil Post fez uma seleção que coloca esse ditado à prova: quais figuras brasileiras poderiam fazer parte do elenco da série na vida real?

Calma! Não estamos acusando ninguém de assassino, dissimulado etc. Apenas comparamos características das personagens que prometem bombar nesta nova temporada com figuras carimbadas da nossa capital federal. Afinal, não é segredo para ninguém que o que não falta na sede do poder, em Brasília, são maracutaias, certo?

1. Frank Underwood é Eduardo Cunha

cunha frank

Na comparação do protagonista da série com o presidente da Câmara dos Deputados, além das óbvias relações de poder dentro do Congresso, há graves denúncias no passado e esquemas que teriam servido para sua ascensão política.

Um exemplo? Enquanto Frank mobilizava congressistas para realizar a reforma educacional, Cunha foi líder em um movimento na Casa que tentou barrar a qualquer custo o Marco Civil da Internet.

Inclusive, essa bola foi cantada por uma das revistas mais respeitadas do mundo, a The Economist. E com toda a razão!

2. Claire Underwood é Flavia Arruda

claire flavia

A companheira do protagonista da série tem uma personalidade única. Claire é inteligente, está sempre de prontidão para apoiar ou aconselhar o marido em suas operações e é uma respeitada ativista do terceiro setor. Assim era a rotina de Flávia Peres, casada com o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Com sua postura marcante, ela sempre chamou atenção em festas e foi ativa nas articulações do marido, até em viagens internacionais.

E olha a coincidência: Flávia também preside uma ONG. A instituição inclusive chegou a ser investigada por, supostamente, estar envolvida nos esquemas de corrupção do marido. Quando Arruda foi preso e, portanto, afastado do governo do Distrito Federal, Flávia era a única que ia visitá-lo com frequência na carceragem da Polícia Federal.

No ano passado, quando uma nova candidatura de Arruda a governador foi barrada, seu vice, Jofran Frejat, assumiu como cabeça de chapa. E a vice virou justamente... Flávia! Ou seja, se tivesse vencido, Arruda mandaria no DF, por meio da companheira.

Temos poder, parceria, cumplicidade e estratégia. Temos a nossa Claire versão Brasil.

3. Doug Stamper é Giles Azevedo

giles doug

Doug retrata bem vida de um chefe de gabinete: organiza a agenda, seleciona as prioridades do político, ouve muita bronca e se conforma com uma vida permanentemente conturbada. Doug Stamper está para Frank Underwood como Giles Azevedo está para Dilma Rousseff.

Os que transitam com mais frequência pelo Palácio do Planalto dizem que, quando Dilma precisa de seu chefe de gabinete, ela dispara: “Me chama o chefe da Bagunça!”. Parece familiar?

4. Remy Danton é Fernando Moura

moura remy

Remy é o lobista que já trabalhou para o político protagonista da série, Frank, e agora presta serviços para uma empresa de petróleo e gás. Exatamente o mesmo histórico de Fernando Moura.

Moura ficou conhecido em Brasília por ser o representante de José Dirceu na época em que este era ministro da Casa Civil, o todo-poderoso do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os dois fizeram grandes negociações para a Petrobras e eram os que melhor resolviam os problemas dos grandes empresários com a companhia.

5. Raymond Tusk é Eike Batista

eike tusk

Claro que estamos falando da época em que Eike Batista estava no auge, era o homem mais rico do Brasil e a sétima maior fortuna do mundo.

A relação entre Eike e Dilma à época era bem similar à de Tusk e Garret na série. A presidente era só elogios ao empresário. O clima estava tão favorável que, no ápice da relação, Dilma chegou a sugerir uma parceria entre a Petrobras e as empresas de Eike.

O ex-ricaço, por sua vez, é acusado de fazer manobras para sempre se dar bem em seus empreendimentos – como quando divulgou que diversos campos de petróleo estavam em ótimas condições, apenas para atrair investidores, quando na verdade... bem, já sabemos no que deu toda essa história.

Será que Tusk terá a mesma decadência na temporada que começa hoje?

6. Freddy Armstrong é Kakay

kakay freddy

Enquanto Freddy preparava os almoços de Underwood, para tratar de negócios ou não, Kakay, advogado e dono do famoso restaurante Piantella, em Brasília, tem recepcionado figuras políticas diariamente há muitos anos.

O Piantella tem esse perfil de público desde os tempos da ditadura militar. Tanto que leis importantes, como a da Anistia, e campanhas como a das "Diretas Já" foram arquitetadas no restaurante. Não é de hoje que o local chega a ser considerado uma extensão do Congresso Nacional.

Imagina se aquelas paredes falassem...

7. Edward Meechum é Eriberto França

meechum eriberto

Meechum cumpre bem seu papel de permanecer em silêncio. Mas já pensou se o segurança e motorista botasse a boca no trombone sobre tudo que já viu, ouviu e fez por Frank? Seria uma catástrofe na vida dos Underwood.

A comparação com Eriberto França é inevitável: o estrago que ele causou culminou em um impeachment na recente democracia brasileira.

Ele foi o "algoz" de Fernando Collor no início dos anos 90. Motorista da secretária particular do político, Eriberto desmentiu a defesa do ex-presidente sobre o escândalo de corrupção no governo dele.

Eriberto confirmou às autoridades que transportava dinheiro para Collor. Foi ele, pessoalmente, quem comprou o famoso Fiat Elba, carro usado por Rosane Collor – prova do esquema de PC Farias.

8. Seth Grayson é João Santana

santana seth

O assessor dos Underwood aparentemente vai bombar nesta terceira temporada, já que na segunda ele se mostrou muito hábil e eficiente na hora de limpar a sujeira do casal Underwood. Espera aí... hábil e eficiente em limpar a barra e lidar com a imprensa? Só podemos estar falando de João Santana.

O marqueteiro de Dilma Rousseff é um dos mais respeitados e renomados no ramo. Ele não só reelegeu a atual presidente em uma campanha eleitoral conturbada, como também seis outros candidatos a presidente antes dela.

A parte de esconder a sujeira? A campanha do ano passado é um prato cheio de exemplos. Na verdade, fica difícil saber quem é melhor aqui.

Ou seria pior?