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24/02/2015 21:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

Tortura, estupros, prisão de menores...Relatório da Anistia Internacional revela horrores cometidos pelo Exército nigeriano

AP Photo/Sunday Alamba, File

A Anistia Internacional teceu críticas ao governo nigeriano, afirmando que as autoridades “falharam em investigar adequadamente os assassinatos e sequestros” cometidos pelo grupo extremista Boko Haram.

O relatório anual da Anistia, divulgado nesta terça-feira (24), afirma também que o governo não foi eficiente em levar os suspeitos à Justiça e até mesmo em prevenir novos ataques.

Segundo o documento, que traz dados sobre a situação dos direitos humanos em 160 países, ao reagir ao Boko Haram, as forças de segurança da Nigéria acabaram violando gravemente os direitos humanos e cometeram crimes segundo as leis internacionais.

Prisões de menores, prisões em massa sem justificativa, estupros e tortura foram algumas das atrocidades documentadas pelo movimento. A Anistia afirma, no entanto, que o problema não é exclusivo das forças de segurança nigerianas e, infelizmente, é um elemento comum na região africana. Essas violações, frequentemente, ficam impunes.

“Prisões arbitrárias feitas pelos militares continuam no nordeste da Nigéria. Os militares entram nas comunidades, forçam os homens a se sentarem em áreas externas em frente a um informante para identificar suspeitos de fazerem parte do Boko Haram. Aqueles que são indicados são detidos.”

De acordo com relatos colhidos pela Anistia para formular o documento, uma série de abusos contra civis ocorre na Nigéria sob o pretexto de combater o grupo extremista, que pretende estabelecer um estado islâmico no nordeste do país. Além do Boko Haram, outros grupos armados não estatais, como o Estado Islâmico, cometeram abusos em pelo menos 35 países no ano passado.

Comunidades que já estão fragilizadas pela atividade do grupo que, desde 2009 provocou mais de 4.000 mortes de civis têm também que enfrentar a brutalidade de autoridades que, teoricamente, deveriam protegê-las.

As prisões feitas pelo Exército também são feitas de forma inadequada, de acordo com a Anistia. Os detidos não têm acesso a advogados, família e não contam com a proteção da lei. Na maioria dos casos, de acordo com o documento, os presos não são informados do motivo da detenção e suas famílias não são informadas sobre seu paradeiro.

O documento, chamado “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo” levanta a suspeita do emprego de tortura para obter confissões ou como medida punitiva.

“O governo falhou em investigar mortes que ocorreram sob custódia e negou acesso da Comissão Nacional de Direitos Humanos às instalações militares.”

Salil Shetty, secretário-geral da Anistia Internacional, afirma que medidas repressivas como as tomadas pelas autoridades nigerianas, além de tornarem as comunidades ainda mais vulneráveis, criam um ambiente de repressão e aumentam a possibilidade de que o extremismo "prospere".

A Anistia criticou também a resposta global às atrocidades cometidas tanto pelos Estados quanto pelos grupos armados, classificando-a como "vergonhosa e ineficaz".

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