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Crise no Paraná: Sem dinheiro, universidades ameaçam fechar, enquanto Beto Richa busca formas de pagar funcionalismo

24/02/2015 11:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02
Montagem/Estadão Conteúdo

A crise financeira e política no Paraná continua e promete se agravar nas próximas semanas. Cinco universidades estaduais agora ameaçam parar as atividades e até fechar as portas por falta de dinheiro, situação esta que também ameaça os pagamentos de dívidas e dos salários do funcionalismo público. Faltam quatro dias para o fim do mês e o Palácio Iguaçu estuda como honrar seus compromissos.

No caso do ensino superior paranaense, reitores vão se reunir nesta terça-feira (24) para tentar resolver o problema. Segundo o presidente da Associação Paranaense de Professores de Ensino Superior Público (Apiesp), Aldo Bona, caso o governo não repasse ao menos parte dos R$ 124 milhões de custeio, a situação vai se agravar. Entre as situações mais graves está a Universidade Estadual de Londrina (UEL) que, segundo sua reitora, Berenice Jordão, vive a maior crise financeira da história e também pode encerrar as atividades.

“Não queremos pensar que isso possa acontecer, mas não temos alternativa para essa situação”, disse à Rede Brasil Sul. A UEL deveria receber R$ 34 milhões para a manutenção e o custeio da saúde - no caso do Hospital Universitário (HU) e da Clínica Odontológica Universitária (COU). Segundo a reitora, o valor da dívida de água e luz chega a R$ 2,8 milhões. “Não conseguimos pagar estas contas desde novembro do ano passado”.

Segundo Aldo Bona, as outras ameaçadas por falta de verba são a Universidade Estadual do Paraná (Unespar), a Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), a Universidade Estadual do Oeste (Unioeste) e a Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). De tão caótica, as universidades têm sofrido cortes no fornecimento do serviço de água e luz. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o governo deve anunciar o repasse total de R$ 9 milhões (R$ 2,3 milhões para cada instituição) para minimizar o problema.

Corrida por R$ 1,35 bilhão até sexta-feira

A folha mensal do governo do Paraná está hoje em cerca de R$ 1,35 bilhão, segundo informações do jornal Gazeta do Povo. Com a crise financeira – a qual foi agravada sem a aprovação do ‘pacotaço’ na Assembleia Legislativa (Alep) antes do Carnaval –, a Secretaria Estadual da Fazenda busca meios para honrar o pagamento de dívidas do mês, incluindo o salário de todo o funcionalismo. De acordo com o jornal, ainda não há todo o dinheiro em caixa.

Em janeiro, apenas manobras financeiras permitiram que os pagamentos fossem feitos pelo governo de Beto Richa (PSDB), embora ainda assim alguns débitos não tenham sido honrados. Cortes relativos à Alep e ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), utilizados para o governo remanejar recursos, não estão descartados para este mês. O que é certo é que os salários atrasados dos secretários do Estado e do Executivo – um total de R$ 500 mil – serão pagos.

‘Pressa’ de Richa não vai avançar mais na Alep

A rapidez de aprovar os dois projetos que compõem o ‘pacotaço’ de Beto Richa acabou apelidada de ‘tratoraço’ entre os deputados estaduais e a imprensa local. E ele acabou descartado neste início de semana pelos parlamentares, ainda assustados com a reação do funcionalismo e da sociedade paranaense com as medidas, que mexeriam em direitos previdenciários.

Entretanto, as propostas deverão ser reapresentadas, passando por todas as comissões da Alep, antes de chegarem para votação no plenário. A sociedade poderá ser ouvida ao longo desse processo. Com uma larga maioria, o governo tende a conseguir a aprovação dos projetos. A questão que preocupa Richa é a demora que isso pode ainda ter. Esse ‘arrocho’ aprovado pelo Legislativo estadual é visto como fundamental para a sequência do mandato do tucano.

Enquanto isso, a greve dos professores do Paraná continua e novos protestos são esperados nas próximas semanas. A crise parece longe do fim na terra das araucárias.

(Com Estadão Conteúdo)

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