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23/02/2015 10:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Tribunal egípcio sentencia Alaa Abdel-Fattah, blogueiro ativista e ícone da primavera árabe a cinco anos de prisão

AP Photo

Um tribunal egípcio sentenciou nesta segunda-feira Alaa Abdel-Fattah, ícone das manifestações de 2011 no país, a cinco anos de prisão. A decisão mostra a determinação das autoridades em continuar a sufocar a dissidência, apesar da promessa do presidente libertar "jovens erroneamente detidos".

O veredicto foi dado após o novo julgamento de Abdel-Fattah, ativista que anteriormente havia sido condenado a 15 anos de prisão por organizar um protesto não autorizado e por supostamente ter atacado um oficial da polícia.

O advogado de defesa Mohammed Abdel-Aziz disse que o veredicto foi "duro e opressivo". O tribunal "não levou em consideração qualquer uma das evidências que mostraram a inocência dos réus", disse ele.

Outro advogado de direitos humanos, Taher Abou el-Nasr, disse que "infelizmente, o veredicto era esperado. Não esperamos mais absolvição."

Os advogado de Abdel-Fattah porém, disseram que vai recorrer ao Tribunal de Cassação do Egito, a mais alta instância de apelação no país.

Blogueiro controverso, Abdel-Fattah tem entrado e saído da cadeia desde 2011, o ano da queda do líder autocrata Hosni Mubarak. Ele fez campanha contra o julgamento militar de civis durante os 17 meses em que generais governaram o país após a renúncia de Mubarak. Ele também fez oposição do presidente islamita Mohammed Morsi, que foi democraticamente eleito mas derrubado após um golpe em 2013.

As acusações contra ele estão apoiadas principalmente numa lei que proíbe a realização de protestos sem autorização prévia do governo, medida que foi colocada em vigor após a queda de Morsi. Ativistas e grupos de direitos humanos criticam a lei como uma forma de conter a dissidência.

Abdel-Fattah foi acusado de incitar uma manifestação "não autorizada" em 26 de novembro de 2013, contra uma cláusula do projeto de Constituição que permitiria que civis fosse julgados por tribunais militares. A medida foi incluída posteriormente na Carga Magna, aprovada por referendo.

Mona Seif, irmã de Abdel-Fattah e uma das organizadoras do protesto de 26 de novembro, disse que seu irmão compareceu à manifestação, mas negou que ele a tenha organizado, afirmando que o evento foi convocado por um grupo de pessoas que fez campanha contra julgamentos militares para civis.

A polícia dispersou a manifestação com violência, alegando que os organizadores não tinham permissão. Mulheres que participavam do protestos, dentes elas Seif, foram detidas pela polícia e posteriormente largadas no meio do deserto, fora do Cairo, naquela mesma noite.

Abdel-Fattah já havia declarado que seu julgamento, que inclui outros 19 réus e cinco pessoas julgadas à revelia, é uma farsa e está em greve de fome. Uma acusação de roubo contra Abdel-Fattah foi retirada.

Ahmed Abdel-Rahman, outro réu julgado com ele, também foi sentenciado a cinco de detenção, enquanto os demais acusados receberam penas de três anos. A decisão foi anunciada um dia depois de o presidente egípcio Abdel-Fattah el-Sissi, ter prometido libertar jovens presos erroneamente. Ele disse que nos próximos dias o primeiro grupo de jovens será libertado.

Não acredita-se que a medida vá afetar os que são julgados juntamente com Abdel-Fattah. Porém, alguns esperam que a medida resolva o impasse entre esses réus e ativistas jovens que foram detidos e colocados em centros de detenção por participar de marchas contra o governo.

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que há mais de 20 mil pessoas atrás das grades no Egito atualmente, a maioria islamitas.