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23/02/2015 09:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

HSBC Brasil tem prejuízo antes de impostos de US$ 247 milhões em 2014

RENATO MENDES/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A filial brasileira do banco HSBC registrou prejuízo antes de impostos de US$ 247 milhões no ano passado. Esse foi o pior resultado entre todas as filiais latino-americanas e reverte a tendência de lucro vista nos anos anteriores.

Em 2013, a instituição havia lucrado US$ 351 milhões no Brasil e no ano de 2012 o resultado positivo havia somado US$ 1,123 bilhão. A direção do banco diz que o prejuízo é explicado pelo ambiente econômico desfavorável e a continuidade dos ajustes gerados pelo reposicionamento do banco no Brasil.

"A desaceleração da economia brasileira explica muito dessa fraqueza. A deterioração da confiança econômica e a consequente retração do investimento empresarial foram os principais fatores por trás da desaceleração econômica", diz o balanço divulgado em Londres. "Para mitigar as pressões inflacionárias de uma moeda mias fraca, o Banco Central aumentou o juro em 75 pontos base no quarto trimestre para 11,75%", completa o documento.

Por unidades no Brasil, a unidade que engloba o banco de varejo e a gestão de ativos liderou o prejuízo com perda antes de impostos de US$ 174 milhões em 2014. Isso acelerou a tendência de perdas do ano anterior, quando o prejuízo já havia somado US$ 114 milhões. Em seguida, o banco comercial registrou prejuízo de US$ 153 milhões no ano passado, mais que o triplo da perda de US$ 43 milhões reportada em 2013. O segmento de alta renda, o private, acumulou perda de 2 milhões em 2014 contra lucro de US$ 5 milhões em 2013.

O único segmento do HSBC Brasil que terminou o ano passado com lucro foi o de "global banking e mercados", que gerou resultado positivo antes de impostos de US$ 115 milhões em 2014. Apesar de estar no azul, a unidade viu o resultado cair drasticamente já que em 2013 o lucro havia somado US$ 514 milhões. Segundo o balanço, houve ainda prejuízo de US$ 33 milhões em outras áreas não especificadas no ano passado na filial brasileira do HSBC.

HSBC Brasil anuncia fechamento de 21 agências

Em meio ao prejuízo de mais de meio bilhão de reais no ano passado, o HSBC Brasil continua com o esforço para reposicionar as atividades do banco no País. Em um trabalho que já leva vários trimestres, a filial tenta migrar negócios para segmentos com maior potencial de crescimento. Nesse esforço, o banco com sede em Curitiba anuncia o fechamento de 21 agências.

Balanço divulgado na manhã desta segunda-feira (23) em Londres cita que o HSBC Brasil fechou agências "em áreas com menor potencial de crescimento". O documento não cita quais unidades foram ou serão fechadas. O documento explica apenas que o objetivo do banco é concentrar esforços em áreas urbanas que ofereçam melhores perspectivas e cita "esforço nos centros urbanos com potencial de rápido crescimento das receitas".

Ao mesmo tempo em que fecha 21 agências tradicionais, o HSBC Brasil anuncia o lançamento de 60 pontos para vendas e atendimento automático dos clientes. Também não há detalhes sobre essa iniciativa no balanço.

Entre outras ações para o reposicionamento do banco, o HSBC cita que "no banco de varejo e gestão de ativos, estamos atualizando nosso modelo de negócios nos concentrando em segmentos específicos de clientes". Na pessoa física, o banco tem adotado mudanças nas linhas de crédito, como a ampliação dos prazos de empréstimos pessoais. Na pessoa jurídica, houve avanço entre as empresas de médio porte. "No Brasil, fizemos progressos para transformar nosso negócio a fim de garantir a sustentabilidade de longo prazo", diz o balanço.

Despesas

Além de estar em um ambiente econômico menos favorável e com o reposicionamento das atividades, o HSBC registrou aumento das despesas operacionais no Brasil. O balanço cita que esses gastos cresceram US$ 796 milhões na América Latina, especialmente "no Brasil e Argentina em grande parte pelas renegociações salariais e pressões inflacionárias".

Além dos salários, o HSBC registrou custos extraordinários no Brasil no ano passado, com a aceleração de depreciação e a baixa em ativos intangíveis no segmento de varejo e gestão de ativos. "Apesar desses fatos, nossa política de controle de gastos continua e nós avançamos com nosso foco e tivemos economia com custos acima de US$ 155 milhões", diz o documento.

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