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19/02/2015 11:54 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, nega ter recebido pedido de advogados para beneficiar investigados da Lava Jato

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, nega ter recebido pedido de advogados dos empresários investigados pela Operação Lava Jato a fim de beneficiá-los.

Em nota divulgada na noite desta quarta-feira (18), ele confirmou que houve uma "única audiência" sobre essa investigação: com a defesa da empresa Odebrecht no dia 5 de fevereiro. O encontro foi "registrado em agenda pública e em ata".

De acordo com o ministro, a Odebrecht comunicou irregularidades na Lava Jato que exigiriam ações do Ministério da Justiça, "não guardando nenhuma pertinência com quaisquer decisões judiciais tomadas no caso".

"Em nenhum momento, [o Ministério da Justiça] recebeu qualquer solicitação de advogados de investigados na operação Lava Jato para que atuasse no sentido de criar qualquer obstáculo ao curso das investigações em questão ou para atuar em seu favor em relação a medidas judiciais decididas pelos órgãos jurisdicionais competentes. Caso tivesse recebido qualquer solicitação a respeito, em face da sua imoralidade e manifesta ilegalidade, teria tomado de pronto as medidas apropriadas para punição de tais condutas indevidas."

O jornal Folha de S.Paulo denunciou que o ministro teve três encontros com advogados de réus da Lava Jato só em fevereiro. Apontou que defensores da UTC e da Camargo Corrêa pediram apoio de Cardozo para soltar executivos que estão presos há meses.

Cardozo teria sido "assertivo" na tentativa de ajudar os empreiteiros.

A revista Veja sublinhou que os encontros não constavam da agenda oficial do ministro.

Repercussão

José Eduardo Cardozo disse que é dever do ministro da Justiça receber advogados no exercício regular da profissão.

Mas as audiências repercutiram muito mal entre magistrados.

Além do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que pelo Twitter exigiu a demissão do ministro Cardozo, o juiz Sérgio Moro também se posicionou em despacho, segundo a Folha.

"Intolerável, porém, que emissários dos dirigentes presos e das empreiteiros pretendam discutir o processo judicial e as decisões judiciais com autoridades políticas. Mais estranho ainda é que participem desse encontro, a fiar-se nas notícias, políticos e advogados sem procuração nos autos das ações."

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) defendeu os advogados das empreiteiras e até o ministro da Justiça.

"A autoridade que recebe advogado, antes de cometer ato ilícito, em verdade cumpre com a sua obrigação de respeitar uma das prerrogativas do advogado", afirmou em nota.