COMPORTAMENTO
18/02/2015 17:33 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Os americanos compram uma quantidade OBSCENA de roupas. É sério. E a gente explica porquê

Alguns de nós não se cansa de fast fashion - roupas hipermodernas que vão das passarelas para as vitrines em uma velocidade vertiginosa. Ainda que isso seja ótimo, já que você raramente terá que usar a mesma roupa, existem algumas sérias implicações relacionadas ao consumo delas em volumes cada vez maiores. O que acontece quando você está cansado de seus mocassins fascinantes ou chateado pois seu jeans de R$ 50 reais está começando a se desgastar?

Você provavelmente recorre aos brechós. Mas será que toda nossa "novidade" descartada, de camisetas a cardigãs, está realmente fazendo um favor para as lojas de roupas usadas? Nós nos dispomos a responder essa pergunta.

Os brechós americanos recebem mais roupas do que você imagina.

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Nós adoramos comprar roupas novas. De acordo com o Conselho de Reciclagem Têxtil, os EUA geram cerca de 11 bilhões de quilos de roupas novas por ano (cerca de 85 por cento do que eventualmente vai para os aterros sanitários). Some-se a isso os 15 por cento restantes que organizações como a Goodwill, o Exército de Salvação e outras lojas de roupas usadas obtêm.

Uma das lojas do Exército de Salvação da cidade de Nova York recebeu em 2012 cerca de cinco toneladas por dia. No ano passado, as lojas do Exército de Salvação em todo o país receberam, no total, aproximadamente 36 milhões de quilos de roupas, de acordo com Tim Raines, gerente de marketing da organização. Ainda que as lojas não estejam exatamente reclamando do grande volume de roupas, em boas condições de uso, descartadas, existem outros caminhos para o excesso de roupas que não sejam as lojas de revenda. O modismo ilustra a forma como vemos a roupa nos dias de hoje: algo totalmente descartável.

Várias roupas desse tipo são itens que estavam na moda na última estação.

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"Você tem uma noção clara do consumo excessivo, que prevalece na maioria dos Estados Unidos, frequentando brechós", disse ao The Huffington Post, Susan Choi, que opera uma loja Etsy de roupas vintage. "É comum encontrar itens que estavam na moda só um ou dois anos atrás", ela escreveu, "e uma grande quantidade deles."

Talvez nós simplesmente não tenhamos culpa, porque comprar roupas ficou insanamente barato por aqui. Em 1901, uma família média gastava 14 % de sua renda anual em roupas, e agora é só um pouco mais de três por cento. Faz mais sentido comprar uma roupa nova, do que reparar ou alterar uma peça de roupa antiga - na verdade, entre 1900 e 2013, o número de alfaiates nos EUA caiu de quase 230 mil para apenas 21.400.

Erick Martinez, da ARC Thrift Stores, diz que pelo lado operacional, isso significa ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição." A indústria da moda rápida de hoje tende a mostrar o seu desgaste mais cedo", disse ele.

Quando há muitas doações de roupas, esses itens são transformados em trapos ou acabam em aterros sanitários.

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Até 80 por cento de todas as doações para brechós de caridade são recuperadas por recicladores têxteis, uma parte se transforma em trapos de limpeza ou panos de polimento, disse à radio americana NPR, o diretor executivo da Secondary Materials and Recycled Textiles (SMART), uma organização comercial. Não é nenhuma novidade que a indústria de panos seja um negócio em expansão - e implacável - que não diz respeito à indústria de roupas de segunda mão. Algumas caixas de coleta de doação na rua e negócios com fins lucrativos que reciclam vestuários recebem doações que poderiam ter ido para os brechós, mas, alguns itens podem ir parar no triturador, em vez dos cabides.

Para sermos justos, a indústria de panos também ajuda os brechós. Mesmo que as doações não possam ser vendidas em suas lojas, pelo menos a organização pode lucrar um pouco ao vendê-las para outros fins e, no caso de instituições de caridade, destinar a receita para as pessoas mais necessitadas. Em 2013, os EUA exportaram cerca de 860 mil toneladas de roupas usadas para outros países, de acordo com o setor de estatísticas do Departamento de Comércio. Isso fica normalmente guardado em grandes fardos, organizados pela condição em que se encontram e vendidos em mercados - às vezes por preço maior do que o encontrado em brechós nos EUA.

O fast-fashion compete até com os brechós.

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Algumas lojas dizem que o influxo de tendências recentes ajuda a permanecer relevante aos olhos dos consumidores. Mas quando os clientes podem comprar novos e ainda mais atuais estilos por quase o mesmo preço dos usados, para que fazer compras em brechós?

A "Forever 21 não é uma boa notícia para nós", disse Bill Gover, vice-presidente de merchandising e produção da organização Housing Works, localizada na cidade de Nova York, ao HuffPost. Na verdade, essas lojas são a concorrência. Muitos itens de moda rápida acabam no armazém da organização, onde por $25 dólares os clientes embalam o quanto podem dentro de um saco. A Goodwill tem uma operação similar no Texas, onde o excesso de roupas é enviado para a loja Blue Hangar da Goodwill, e os clientes selecionam as roupas deixadas em caixas enormes. Para concorrer, Gover explicou que está tentando ensinar os funcionários a procurar por "tendência" vintage, itens mais antigos que estão lado a lado com as tendências da moda atual e pedir um preço ligeiramente superior, porque elas são mais bem feitas.

Elizabeth Cline, autora do livro "Overdressed: The Shockingly High Cost Of Cheap Fashion " ("Supervestida: o chocante preço alto da moda barata"), lamentou que, não importa o fabricante, a nossa visão de vestuário precisa mudar. "Não importa onde os consumidores fazem compras, mesmo que seja em uma H&M", disse Cline ao The Huffington Post, "Eu acho que a chave não está em pensar em roupas como algo descartável. A roupa tem um ciclo de vida e nós temos que assumir a responsabilidade por isso”.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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