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12/02/2015 17:34 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Executiva da Korean Air que atrasou voo por causa de macadâmias é condenada a um ano de prisão

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A ex-executiva da Korean Air, que ordenou que um avião no qual estava retornasse para o aeroporto porque não tinha gostado da maneira como lhe foram servidas nozes de macadâmia, foi condenada nesta quinta-feira por violar leis de segurança da aviação e sentenciada a um ano de prisão na Coreia do Sul.

Cho Hyun-ah, filha do presidente da Korean Air, ficou conhecida ao redor do mundo por ordenar que um avião, prestes a decolar, voltasse ao portão de embarque para que o chefe de cabine fosse removido, dia 5 de dezembro de 2014. Segundo relatos, ela ficou irritada com um comissário de bordo da primeira classe que a serviu nozes de macadâmia em um pacote aberto ao invés de num prato, além de não perguntar se ela queria.

A justiça sul-coreana afirmou que Cho é culpada por forçar um voo a alterar sua rota, obstruir o trabalho do comandante e expulsar um funcionário do avião. A promotoria havia pedido três anos de prisão.

Sob custódia desde 30 de dezembro, Cho enxugava as lágrimas com um lenço enquanto uma carta expressando seu remorso era lida no tribunal pela juíza Oh Seong-woo. Nela, era descrito como Cho, uma das mulheres mais ricas da Coreia do Sul, estava se adaptando as condições básicas da prisão e refletindo sobre a vida. "Eu sei que errei e eu sinto muito", disse na carta.

O comportamento escandaloso de Cho causou um alvoroço no país e chamou a atenção para a questão dos conglomerados familiares, conhecidos como chaebol, que dominam a economia do país e, muitas vezes, agem acima da lei.

Representantes dos Chaebol condenados por crimes de colarinho branco geralmente são libertados sob condicional e recebem perdão presidencial. Em muitos casos, a justiça coreana reconhece a contribuição de empresários desse porte na transformação da Coreia do Sul em uma sólida economia. Entretanto, a sentença de Cho indica que a sociedade coreana está menos complacente com as segundas e terceiras gerações de famílias abastadas. Herdeiros de fortunas, como Cho, ascendem rapidamente no mundo executivo, mas poucos acreditam que o fato é baseado em mérito.

"A maioria dos Chaebol da segunda e terceira geração se veem como membros de uma classe aristocrática e acreditam que podem fazer o que quiserem", disse Whang Sang-mi, professor de psicologia da Universidade de Yonsei.

A juíza afirmou que a corte levou em consideração que as ações de Cho prejudicaram a segurança do avião e que os funcionários, abusados física e psicologicamente, estão com dificuldades para voltar a trabalhar normalmente. Segundo ela, o caso manchou a imagem da Coreia do Sul. "Se ela fosse decente com as pessoas, se ela não tivesse tratado os funcionários como escravos, se ela tivesse controlado suas emoções esse caso não teria ocorrido", comentou.

A justiça também considerou que Cho mostrou remorso e que a empresa aérea está ajudando os funcionários afetados. O advogado de Cho saiu da corte sem dizer se haverá apelação da decisão.

Yeo Woon-jin, executivo da Korean Air foi condenado a oito meses de prisão por pressionar funcionários a mentir sobre o caso. Kim Woon-sub, do Ministério do Transporte, foi condenado a seis meses de prisão por vazar informações da investigação para a companhia aérea, entretanto, está em liberdade condicional por um ano.

No começo de fevereiro, Park Chang-jin, o chefe de cabine que foi expulso do avião, testemunhou que Cho teve um ataque de fúria quando um comissário de bordo serviu as macadâmias de uma maneira que considerou errada. O comissário, então, tentou mostrá-la o manual que descrevia o procedimento para provar que estava certo, mas Cho recusou-se a olhar.

Segundo ele, Cho parecia "um animal feroz atacando a presa, berrando e rangendo os dentes". Park afirmou que Cho forçou ele e o comissário de bordo a pedir perdão de joelhos, tratando-os como "escravos na era medieval". A Korean Air não comentou a decisão judicial.