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10/02/2015 18:12 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Bob Odenkirk: ''Better Call Saul' não é 'Breaking Bad''

Saul Goodman, o advogado espertalhão de gosto duvidoso para roupas, está de volta em "Better Call Saul", spin-off de "Breaking Bad" que estreou no canal AMC, na televisão americana, no dia 8 de fevereiro — aqui no Brasil, chegou pelo Netflix no último dia 9. O seriado, escrito pelos mesmos Vince Gilligan e Peter Gould do fenômeno "Breaking Bad", considerado um dos melhores programas da história da televisão, volta mais ou menos seis anos no tempo, em Albuquerque, para mostrar o início da carreira de Saul Goodman – ou melhor, Jimmy McGill, seu nome verdadeiro. Alguns poucos personagens estão de volta, como Mike (Jonathan Banks). Mas a maior parte é de gente nova, como o traficante Nacho Varga (Michael Mando), a namorada Kim Weller (Rhea Seehorn) e o irmão mais velho Chuck McGill (Michael McKean).

Bob Odenkirk, que interpreta Saul Goodman/Jimmy McGill, falou com a Superinteressante sobre Better Call Saul:

Sente pressão por protagonizar uma série que é o spin-off de "Breaking Bad?"

Talvez eu devesse! (risos) Mas não sinto. Acho que por estar no showbusiness há 30 anos. Estou feliz e empolgado. Talvez não reverencie a televisão tanto quanto deveria. Fui muitas vezes ao Emmy… (risos) No fim, só penso no trabalho. A única questão para mim era se Vince (Gilligan) e Peter (Gould) realmente querem fazer o seriado por razões criativas e não por se sentirem obrigados ou pressionados pelo público. Mas Vince não liga para essas coisas, só quer explorar bons personagens.

Better Call Saul nasceu de comentários casuais durante as filmagens de Breaking Bad. Quando a coisa ficou séria?

Bem, eu não levei a sério até esta manhã, quando soube que tinha de dar entrevistas! (risos) Sempre foi uma escolha de Vince Gilligan e Peter Gould ir em frente ou não, eu só os acompanhei. Mas, como piada, aconteceu imediatamente. Na primeira cena que fiz em "Breaking Bad", as pessoas falaram: “Ah, estamos ansiosos pelo spin-off!”. Era um personagem extravagante, que fez barulho quando apareceu. E Vince me disse depois da minha primeira temporada completa, que foi a terceira, que talvez houvesse mesmo um spin-off. Mas minha atitude sempre foi: “Vince, você me diz. Se escrever, eu faço”.

Então nunca houve hesitação da sua parte?

Fiquei preocupado de me afastar da minha família, que mora em Los Angeles, porque tinha de rodar em Albuquerque. Pensei que talvez não conseguisse. Mas aí meus filhos conversaram comigo, me fizeram sentir que tinham idade suficiente para entender por que eu estava fazendo. Achei até que talvez eles pudessem aprender a ter mais responsabilidade, e na verdade, aprenderam mesmo. Eles se portaram muito bem, mesmo eu estando longe.

O Saul Goodman de Better Call Saul é muito diferente do Saul Goodman de Breaking Bad?

Ele é. Até porque era muito claro que o Saul visto em "Breaking Bad" era apenas um de seus lados. Ainda mais porque nem havia fingimento de que tudo aquilo no escritório era falso, era uma persona. Ele disse logo de cara que Saul Goodman não era seu nome. Então, quando ele sai do escritório, sabe-se que vai ser um cara diferente. Não sei se as pessoas vão ficar chocadas, porque vão ver Saul, ou o cara que se torna Saul, nos bastidores. Acho que elas esperam que seja diferente, como qualquer pessoa é outra quando está em casa.

Ele era o alívio cômico em "Breaking Bad". Continua sendo cômico?

Sim, o alívio cômico num mundo muito sombrio, em que todo o mundo tinha uma arma apontada para sua cabeça. Ele não tinha. Continua sendo engraçado. Mas eu me esqueci disso, saí da filmagem me lembrando dos momentos dramáticos. Porque "Better Call Saul" é muito séria. Vince e Peter são escritores sérios, eles não acreditam que as pessoas mudam facilmente, só quando estão aniquiladas ou encurraladas. Também não veem as pessoas como simplistas, acham que elas têm camadas. Só ao assistir ao primeiro episódio, me lembrei como era engraçada.

Muita gente pode pensar que fazer o spin-off de uma das melhores séries da história é uma jogada segura. O que pensa disso?

Bem, muita gente diria que é uma jogada perigosa também. Os críticos que vão dizer. Nosso trabalho é escolher um projeto que nos empolga. Existe muita boa vontade no ar em relação a Saul Goodman, na minha opinião porque "Breaking Bad" terminou antes de as pessoas estarem satisfeitas. O público não estava cansado de ouvir aquela voz narrativa. Por sorte, temos essa voz narrativa aqui, temos Vince Gilligan e Peter Gould, as mesmas pessoas, na criação de "Better Call Saul". Mas "Better Call Saul" não é "Breaking Bad".

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