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09/02/2015 00:48 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Drogas psicodélicas podem ser medida eficaz de prevenção do suicídio?

Flickr

A nova onda de pesquisas sobre o uso médico de drogas psicodélicas sugere que essas substâncias podem ser promissoras como intervenções terapêuticas para vários problemas mentais. E, segundo um novo estudo, os psicodélicos “clássicos” – psilocibina (cogumelos mágicos), LSD e mescalina – também podem ser uma medida eficaz de prevenção do suicídio.

Pesquisadores da Universidade do Alabama em Birminghamon estudaram dados de 190 000 americanos adultos, coletados entre 2008 e 2012 como parte da Pesquisa Nacional Sobre Uso de Drogas e Saúde. Os dados indicaram que o uso de drogas psicodélicas a vida inteira estavam associado a reduções de 19% nas perturbações psicológicas no mês anterior, de 14% nos pensamentos suicidas no ano anterior e de 29% nos planos de suicídio no ano anterior. Os usuários de drogas psicodélicas apresentavam probabilidade 36% menor de tentar suicídio no ano anterior. Pessoas que usaram drogas não-psicodélicas a vida toda, por outro lado, apresentavam maior probabilidade de cometer suicídio.

O estudo não responde por que o uso dessas substâncias tem relação com a menor incidência de distúrbios psicológicos e intenções suicidas, mas sugere que mais pesquisas sejam feitas para determinar se elas podem ser usadas como medida preventiva de suicídios.

“Apesar dos avanços nos tratamentos de saúde mental, as taxas de suicídio não caíram nos últimos 60 anos. Intervenções novas e potencialmente mais eficazes precisam ser exploradas”, disse Peter S. Hendricks, professor-assistente do Departamento de Comportamento de Saúde da universidade e líder do estudo. “Esse estudo abre o caminho para pesquisas futuras que testem a eficácia de psicodélicos clássicos em relação à prevenção de suicídios, além de patologias associadas ao alto risco de suicídio (como distúrbios afetivos, vício e traços de personalidade impulsiva-agressiva).”

Um corpo crescente de pesquisas mostra que os psicodélicos podem ser intervenções terapêuticas promissoras para casos de ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, e transtorno do estresse pós-traumático.

É importante notar, entretanto, que essas pesquisas são realizadas em ambientes clínicos controlados – o uso de psicodélicos de forma recreativa não é recomendado para o tratamento de doenças mentais. Ainda assim, essa e outras descobertas sugerem que, sob as condições adequadas, os psicodélicos podem ser uma intervenção não-farmacêutica promissora.

“As evidências sugerem que psicodélicos clássicos podem ter o potencial de aliviar o sofrimento humano associado às doenças mentais”, concluem os pesquisadores. “Novos estudos rigorosos são necessários para entender melhor essas substâncias, com o objetivo final de tirar vantagem de suas capacidades terapêuticas latentes.”

Os resultados foram publicados na revista Psychopharmacology.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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