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04/02/2015 13:38 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Crise hídrica: Reserva do Paraíba do Sul para o Rio de Janeiro pode durar até agosto se a seca for igual à de 2014

Estadão Conteúdo

Um relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) afirma que a manutenção da vazão mínima de 145 mil litros por segundo na Estação Santa Cecília, em Barra do Piraí (RJ), onde a água do Paraíba do Sul é desviada para abastecer o Rio de Janeiro, vai provocar o esgotamento do volume morto do sistema antes do fim de agosto, se a seca na região for igual a de 2014.

O órgão, responsável por controlar reservatórios que servem para a geração de energia no País, defende a redução da vazão para 110 mil l/s.

Há quatro dias, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), disse que uma eventual redução para 110 mil litros por segundo, que já foi cogitada pela Agência Nacional de Águas (ANA), que regula os mananciais federais, representava "risco para o abastecimento" do Estado.

Na segunda-feira (2) a ANA decidiu prorrogar até dia 28 a vazão mínima de 140 mil litros por segundo na Estação de Santa Cecília. Mesmo assim, a vazão poderá ser alterada em reunião prevista para amanhã no ONS com a ANA, autoridades fluminenses e comitê de bacia.

"Vamos fazer uma avaliação com simulações e dados levantados nos últimos dias. A princípio, deverá ser proposta uma pequena redução da vazão para preservar os estoques. Estamos hoje 25% abaixo do pior cenário já registrado, em janeiro de 1953", disse o diretor executivo do Comitê da Bacia Hidrográfica do Guandu, Julio Cesar Oliveira Antunes.

O relatório da ONS destacou que a vazão natural média afluente à Santa Cecília em janeiro correspondeu a apenas 25% da média histórica, em 82 anos de registros. A severa estiagem fez o volume útil da Represa Paraibuna, a maior do sistema, se esgotar no dia 21 do mês passado, e da Represa Santa Branca, no dia 25, sendo necessário captar água do volume morto.

O Operador fez três diferentes simulações, conforme cenários de vazões afluentes iguais ou piores que a do ano passado. Se a seca mantiver o ritmo de janeiro, afirma, seria preciso reduzir a vazão em Santa Cecília para 80 mil litros por segundo para não esgotar o volume morto dos três reservatórios.

A necessidade de reduzir a vazão para preservar estoques foi apontada por técnicos em reunião com Pezão e a presidente Dilma Rousseff na quarta-feira da semana passada, disse o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa. A ANA informou que vem reduzindo as vazões em Santa Cecília "de forma periódica e paulatina desde maio de 2014".

A última redução foi autorizada em dezembro e valia até 31 de janeiro: de 160 mil litros para 140 mil litros por segundo. Antes da crise, era de 190 mil litros por segundo.