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04/02/2015 23:32 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Conheça Shubham Banerjee: O menino de 13 anos que criou a primeira impressora braile de baixo custo

Luiza Belloni

- “Como os cegos leem?”

Foi depois de se fazer essa pergunta que Shubham Banerjee, aos 13 anos, começou a mudar a vida de milhões de pessoas com deficiência visual em todo o mundo. O norte-americano de origem indiana é fundador da Braigo Labs, primeira empresa que desenvolve impressora braile a baixo custo.

O mais jovem empreendedor do Vale do Silício ganhou fama no ano passado, após criar uma impressora braile feita com um kit de Lego para desenvolvedores: a Braigo (junção das palavras ‘braile’ e ‘lego’).

“Descobri que as impressoras para os cegos existiam, mas eram muito caras e inacessíveis”, disse Shubham, nesta quarta-feira (4), em uma coletiva de imprensa antes de sua palestra na Campus Party Brasil, em São Paulo.

shubham banerjee

As impressoras braile disponíveis no mercado norte-americano custam, pelo menos, cerca de US$ 2.000 (ou R$ 5.428,40, de acordo com a cotação do Banco Central de hoje). No Brasil, um uma dessas não sai por menos de US$ 3.000 (ou R$ 8.142,60). O dispositivo criado por Shubham, que basicamente converte texto convencional para o sistema de leitura para cegos, pode chegar às lojas custando US$ 500 (R$ 1.357,10).

O projeto, elaborado no meio do ano passado para ser apresentado apenas como um trabalho de ciências, teve alcance nacional (e internacional) com ajuda dos pais de Shubham. Neil Banerjee, engenheiro da Intel, decidiu financiar a ideia do filho, enquanto a mãe, Malini Banerjee, apoiou a criação da Braigo Labs, onde hoje ocupa o cargo de CEO.

O garoto também teve aporte financeiro da Intel, que deu à Braigo uma versão mais próxima daquela que será vendida para o consumidor final: pequena, leve, prática e que imprime palavras inteiras em uma folha A4, igual a uma impressora comum. A original, feita de Lego, imprime em braile uma letra por linha, em um rolo de papel parecido com um de nota fiscal.

impressoras braigo

(A impressora original, de Lego, à esquerda, e a versão 2.0 da Intel, à direita)

“Eu não criei a impressora pensando no negócio. Eu queria criar algo acessível para pessoas com deficiência visual que não têm dinheiro para comprar uma impressora convencional”, disse Shubham, acrescentando que uma das maiores dificuldades para tocar o projeto foi conhecer o alfabeto braile. Ele teve ajuda de um amigo, que é cego.

Em todo o mundo, 285 milhões de pessoas têm deficiência visual, sendo 246 milhões com visão reduzida e 39 milhões totalmente cegas. Mais de 90% destas pessoas vivem em países em desenvolvimento, segundo o instituto Lighthouse International.

Protótipos em testes

Com sede no Vale do Silício, a empresa criada pelo estudante da 7ª série está desenvolvendo 20 impressoras testes que serão distribuídas até agosto deste ano em institutos que cuidam de deficientes visuais em diferentes países. Uma delas será enviada ao Brasil para ser testada em português.

As impressoras vêm com o Edison, microcomputador da Intel que processa os dados enviados por um computador ou tablet. Por meio de um programa específico (e gratuito), a pessoa digita no computador e as folhas saem na impressora já com a escrita em relevo.

microcomputador intel

Até o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quis conhecer Shubham de perto. O estudante foi convidado para apresentar sua criação na primeira feira de maker, realizada na Casa Branca. Depois disso, sua vida não foi mais a mesma: ele deu centenas de entrevistas aos principais veículos de impressa internacionais, recebeu prêmios pela iniciativa e convites palestrar em todo o mundo - inclusive aqui, na Campus Party.

Tantos compromissos não impedem Shubham de ter uma vida normal, como qualquer garoto de 13 anos. Ele conta que se dedicou inteiramente ao projeto apenas nas férias de verão (em julho) e confessa não saber qual carreira vai seguir. “Prefiro focar agora neste projeto e nos estudos. Eu não sou muito inteligente na escola, na verdade”, conta com humildade, virtude herdada do pai. “Meu filho é um garoto normal. A diferença é que ele põe suas ideias em prática”, reitera.

Veja abaixo como a Braigo original funciona (em inglês):

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