NOTÍCIAS
03/02/2015 07:55 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Eleições na Nigéria: Entenda como o Boko Haram pode prejudicar o pleito marcado para o dia 14 de fevereiro

Reuters

Após uma escalada da violência na Nigéria no último mês, a ascensão do grupo extremista Boko Haram ameaça agora as eleições presidenciais no país.

No último domingo (25), o grupo atacou a cidade de Maiduguri, uma das principais do nordeste nigeriano. No começo de janeiro – em um ataque que começou no dia 3 de janeiro – o grupo fez o que foi, até agora, seu ataque mais violento: pelo menos 2.000 pessoas morreram em Baga, após o grupo sitiar a cidade e vilarejos vizinhos.

Os ataques perpetrados pelo grupo causaram o deslocamento de mais de 1 milhão de pessoas – a maioria foi para outros estados nigerianos, e algumas cruzaram as fronteiras rumo aos Camarões, ao Níger e ao Chade.

Embora inclua muitas crianças, essa quantidade de pessoas representa parte considerável do eleitorado do país - que tem 173 milhões de habitantes - e pode afetar a credibilidade do processo eleitoral. Isso porque não há sistema que permita o voto dos nigerianos que se deslocaram internamente ou se refugiaram em outro país.

Goodluck Jonathan e o Mohammadu Buhari são os candidatos com maiores chances de conquistarem a presidência do país, nas eleições marcadas para o dia 14 de fevereiro. De acordo com o Washington Post, será a eleição mais polarizada e competitiva desde o fim do período militar no país, em 1999.

Também preocupa o fato de que a Nigéria já tem um histórico de violência eleitoral: em 2011, quando os mesmos candidatos disputaram a presidência, pelo menos 800 pessoas morreram em conflitos e várias igrejas foram queimadas.

O temor agora é de que a disputa eleitoral possa aumentar ainda mais o clima de instabilidade do país, o mais populoso da África.

Durante um encontro com o presidente – e candidato à reeleição – Goodluck Jonathan, o secretário de estado americano, John Kerry, reiterou a importância de que o processo eleitoral seja mantido, ainda que alguns estudiosos questionem se será possível realizar o pleito no país.

“O fato é que um dos melhores jeitos de lutar contra o Boko Haram e grupos similares é protegendo eleições pacíficas, críveis e transparentes, essenciais para qualquer democracia próspera e, certamente, essenciais para a maior democracia na África.”

O Boko Haram busca estabelecer um Estado Islâmico no país – que tem metade de sua população cristã e a outra metade muçulmana.

Diferentemente de outros grupos terroristas, como o Estado Islâmico, o Boko Haram dificilmente tem ocidentais entre seus alvos e ataca geralmente escolas, hospitais e outros alvos civis.

O atual presidente é cristão, apoiado pela maioria do sul, e seu opositor é um ex-general muçulmano que conta com maior apoio no norte do país e fez da segurança a bandeira de sua plataforma de campanha.

Outro ponto que pode dificultar ainda mais o processo eleitoral é o fato de que o Boko Haram vai ter um efeito direto na votação em três estados – Borno, Adamawa e Yoube - do nordeste nigeriano, onde os fundamentalistas são mais ativos.

A presença do grupo pode até mesmo inviabilizar procedimentos logísticos simples, como a instalação das urnas e a própria apuração.

A lei nigeriana prevê que, para ganhar as eleições, além de 50% dos votos mais um, o candidato precisa conquistar pelo menos 25% dos votos em dois terços dos estados do país. A instabilidade em Borno, Adamawa e Yoube pode, portanto, ser decisiva para o pleito.